Em cartaz: Comédia da Moda Privada”, por Kathia Castilho

No último dia do ciclo de palestras da Casa de Criadores, quem abriu a tarde foi Kathia Castilho que resolveu tocar num assunto tão pertinente, a relação do corpo com a moda.  A palestrante começou discorrendo sobre o papel do corpo na atual sociedade brasileira. A forma como cultuamos o corpo – principalmente no universo feminino – e como ele acaba servindo como espelho da nossa personalidade. Mais do que um cabide para a indumentária, usamos o corpo como meio de comunicação, para que os outros entendam a mensagem que queremos passar.

A percepção de imagem do corpo, que temos hoje, começou a tomar forma nos anos 1950, no pós-guerra. Com a aceleração no desenvolvimento tecnológico a produção em massa, de diversos setores, se estabeleceu. Foi nesse momento que as imagens de ideais de vida começaram a se pasteurizar. Todos começaram a ter desejos e ambições muito similares. Tanto que atualmente críticos históricos acreditam que nunca nos vestimos tão iguais em toda a História. Mas mesmo estando tão massificados nos percebemos singulares.

No Brasil, o culto ao corpo tomou proporções exacerbadas, quem mais sofre são as mulheres mais velhas – que sentem a obrigação de se manterem jovens. Não só fisicamente, mas mentalmente. Por isso a corrida contra o tempo acontece cada vez mais cedo e hoje é comum, adolescentes se submeterem à cirurgias plásticas.

Kathia ainda citou novas teorias sobre a forma como lidamos com o corpo e a necessidade de extensão dos nossos sentidos – como, por exemplo, a realidade virtual, que é uma extensão de nós mesmos, dos nossos corpos.

Para se aprofundar nesta discussão, Kathia indicou o livro “Corpo como Capital”, de Mirian Goldenberg.

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