1º dia da Casa de Criadores por Felipe Abe
No meu primeiro dia de diário visual dessa 28ª Casa de Criadores registrei o movimento do backstage, as roupas, modelos e as personas que passaram por lá
No meu primeiro dia de diário visual dessa 28ª Casa de Criadores registrei o movimento do backstage, as roupas, modelos e as personas que passaram por lá

O DJ André Juliani, um dos integrantes do animado casting da Sumemo - fotos Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Cheia de energia e com platéia digna de um rockstar, a Sumemo estreou bem na Casa de Criadores trazendo autêntica cultura de rua (e seus habitantes) para os holofotes do evento.
Fora da sala de desfiles, num grande palco com o DJ Zegon soltando a trilha, amigos da marca, DJs, músicos, fashionistas, celebrities, crianças e anônimos, entravam em cena com dedo médio em riste, evocando uma bem-humorada atitude “fuck the fashion”.
As roupas em si são um megamix do que de fato se vê no dia-a-dia das grandes cidades do mundo: jeans, camiseta e molentons, bermudas, casacões, mixando estampas e formas vindas do hip-hop, do skate e do rock. Sem pretensão nem complicação. Sumemo!
Rober Dognani ressurge em clima gótico, futurista e rocker em sua nova coleção. Os três elementos são uma espécie de obsessão do estilista, aparecendo de forma mais ou menos evidente em todas suas coleções recentes.
O que faz desta especial é o caráter mais urbano das criações, um caminho coerente com o que ele vem mostrando ao longo de sua trajetória na Casa de Criadores.
Em seu inverno 2011, o estilista investe em uma coleção toda em preto conjugando uma série de elementos da alta moda, em construções para lá de complexas e que desafiam descrições.
Looks pontuados por formas geométricas pontiagudas, plissados, assimetrias e oposições entre formas amplas e justinhas e materiais fluidos, como seda, e mais rígidos, como o couro, se destacam no repertório da coleção, que tem lindos vestidos, calças e jaquetas para olhar, admirar e usar.
Geraldo Couto embarca em uma caliente viagem a Espanha em seu inverno 2011, trazendo à passarela seus mulherões em trajes que remetem ao flamenco e às touradas.
Na cartela de cores, vermelho, preto e branco reinam em vestidos de silhueta ajustada, um desdobramento de corsets com amarração em fita de seda, forma que permeia toda a coleção.
Bolerinhos, franjas, pedrarias e babados completam o inverno do estilista.
O filme “Onde Vivem os Monstros” serve de ponto de partida para o inverno de Danilo Costa, um dos integrantes da Casa de Criadores mais afeitos ao caráter lúdico e sentimental de suas coleções.
Olhando para o longa de Spike Jonze, ele desenvolve uma série de looks para amigos imaginários trazendo à passarela aplicações de pelúcias, estampas urso, corujas e unicórnios, referência que aparece também na beleza dos looks de abertura e de encerramento da apresentação.
É um inverno fofo (o trabalho dele tem essa pegada), tendo como ponto alto o masculino uma confortável e despretensiosa alfaiataria em moletom e looks de padronagem folk, e como destaque do feminino, um engraçado vestido de pelos fake. Moda para a vida real, da passarela pro dia-a-dia de seus consumidores.
Luxo & drama são palavras-chave no vocabulário do estilista Rodrigo Rosner, que desfilou seu inverno 2011 nesta segunda (29.11), primeiro dia da Casa de Criadores, evocando uma série de ardentes ladies Chatterley na passarela do evento.
Piriguetismo passa longe aqui. Esta sofisticada protagonista da coleção sai à caça, sim, mas em looks ultra sofisticados e caros, só para ser despida depois, na clandestinidade da noite.
Pense em roupas esvoaçantes, longos, bordados, mangas bufantes, pedrarias e transparências, pluminhas, brilhos, dobraduras, volumes, a mulher da R.Rosner não poupa esforços (nem recurso$) para conseguir o que quer.
Superlegais as esculturas-adereço feitas com grampos, decorando a cabeça das modelos. Maximalismo à toda prova.
Veja mais fotos do desfile da R.Rosner aqui.