Primeiro entram dois dançarinos de maracatu, com suas maxi-perucas douradas, caras pintadas, roupas coloridas e ultra-decoradas, naqueles passos marcados pela batida dos sinos que se penduram nos costumes. Batida que mais tarde vira um delicioso techno-brega bem à la Walério Araújo que, para o Verão 2012, reatou os laços com suas origens pernambucanas. Na verdade, fez bem mais do que isso. Buscou no folclore brasileiro tema e inspiração para esta coleção, marcada pela retomada de energia, drama e emoção que sempre pautaram seus desfiles mais antológicos.
Se no inverno passado Walério celebrou a morte, numa coleção sóbria, toda trabalhada na renda preta, agora volta à vida, todo de branco, pontuado por bordados de paetês prateados e dourados, ou então com linhas coloridas, num maracatu atômico, divertido, provocante e sensual. Primeiro vem Vivi Orth com seu micro-vestido transparente, com babados laterais, em que paetês fazem as vezes de tapa-sexo. Depois Alicia num vestido-jaqueta de couro prateado. E depois Fabi Mayer, Marcelia, Thana Kuhnen e pá pá pá!
Walério aciona todo seu repertório babadeiro, basfond-bafu, numa coleção leve, sofisticada ainda que ultra-sexy, divertida e provocante, com imagem e produto nas medidas acertadíssimas. O foco vem nos curtos, mas quase nunca curtíssimos. Formas próximas ao corpo, mas sem colar na pele. E assim, surgem o lindo vestido de tricô de Marcelia, o tomara-que-caia dourado de Drielly Oliveira, além peças mais diluídas como as calças de paetês, o colete metalizado e ótimo blazer branco com tachas, num dos melhores momentos do masculino (ainda que um tanto enfraquecido).
Ah, e ainda com entrada apoteótica de Walério vestido de dançarino de maracatu (de salto alto, claro), quase que num resumo da essência de sua coleção e identidade: um pouco de provocação, sem nunca perder o humor.







