Perfil da Casa: Lui Iarocheski faz moda autoral lutando contra homofobia, racismo e xenofobia

A coleção de Lui Iarocheski, chamada “Chromophobia”, procura explorar novas expressões em moda masculina através da experimentação com o conceito de brutalismo. “É uma reação das gerações mais jovens contra a leveza, ignorância e radicalismos da sociedade atual”, diz o estilista, que desfila na Casa de Criadores no dia 10/11, quinta-feira. “O que vestimos afeta como agimos, pensamos e sentimos. A coleção abstrai problemas sociais como a homofobia, racismo e a xenofobia para explorar essa interação entre identidade social e roupa. O resultado é uma coleção expressiva, austera, que abusa de tecidos de fibras naturais de qualidade e de patches com frases e desenhos homoeróticos do artista alemão Boris Schmitz.”

O denim da Vicunha é explorado na coleção, aparecendo na sarja stretch e confortável e na sarja de algodão resinado. Juntos com os patches e cordões desenvolvidos pela Haco exclusivamente para o estilista, arremataram a atmosfera pesada, urbana e utilitária da coleção. “O mix é diversificado e abrange calças, shorts, camisas, camisetas e jaquetas oversized”, continua o estilista. “Acordo todos os dias para inspirar as pessoas a serem inspiradores. A autenticidade que vejo pelo mundo me inspira e minhas criações e modo de fazer refletem este mesmo espírito autêntico.”

Lui Iarocheski tem 26 anos e se formou em Moda em 2014 na UDESC, em Florianópolis. Estudou também na The Swedish School of Textiles, na Suécia, e sua coleção de formatura foi premiada e desfilou no RG Designer Award 15, organizado pelo site “Not Just a Label” em Viena, na Áustria. Em 2015 se uniu a um grupo de amigos para montar em Florianópolis a empresa com viés social e sustentável que hoje gere a marca: o Grupo A OCA. A marca já desfilou duas vezes no Vancouver Fashion Week e na Casa de Criadores, integrando hoje o line-up oficial dos dois eventos.

“Nossas coleções limitadas consistem do que acreditamos ser o núcleo de nossa criatividade e capacidade técnica. Somos comprometidos em produzir produtos que são únicos, feitos com materiais de qualidade, desenhados com muito carinho e apresentados de maneiras simples e inspiradora. O desfile terá uma atmosfera agressiva e fetichista sem perder o caráter experimental. Bebi um pouco das referências do anime ‘Akira’, de 1988, e da sua estética punk e pós-apocalíptica para desenvolver a trilha, a qual completa o desfile com uma batida intensa e misteriosa.”

Sobre a Casa de Criadores… “Para mim, além de toda a visibilidade, representa um espaço de liberdade para experimentar e criar novas expressões de moda de forma mais visceral/autoral. Sem dúvidas, a grande importância do evento surge da valorização de uma moda que caminha em outro ritmo do tradicional; onde a criatividade, a invenção e a expressão são priorizadas. Desfilar na Casa de Criadores é fazer parte de um grupo disposto a transformar o conceito em moda”, finaliza.

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