A evolução de Ale Brito na passarela da Casa de Criadores com sua alfaiataria oversized – #fort

texto: Luigi Torre
fotos de backstage: Cassia Tabatini / FORT Magazine
fotos passarela: Marcelo Soubhia/FOTOSITE

Bastidores do desfile de Ale Brito || Créditos: Cassia Tabatini

Bastidores do desfile de Ale Brito || Créditos: Cassia Tabatini

Dá gosto de ver a evolução de Ale Brito dentro da Casa de Criadores. O que começou como uma marca de jaquetas de couro evoluiu para englobar toda uma nova gama de peças e materiais. Nesta mais recente coleção, por exemplo, o couro aparece em apenas duas peças – em uma calça com zíper ao longo de todo a perna e em uma jaqueta biker. O outerwear continua sendo o carro-chefe, só que agora com aspirações outras. No caso, é a alfaiataria oversized que dá o tom. São maxicasacos de formas amplas, mangas alongadíssimas e caimento desabado os principais destaques de sua coleção. Pendurados sobre corpos esguios, trazem memórias do power suiting dos anos 1980 combinadas às vontades street da moda de agora. Junto deles, peças em tecidos sintéticos e outros superfinos, imprimem uma suavidade inédita no trabalho do estilista (ainda que nem sempre executadas à perfeição).

Bastidores do desfile de Ale Brito || Créditos: Cassia Tabatini

Bastidores do desfile de Ale Brito || Créditos: Cassia Tabatini

A imagem é forte e desperta desejo. O olhar atento, no entanto, vai perceber que adaptar a passarela à vida real não é tão difícil assim. A base de tudo aquilo são peças e tecidos usuais e conhecidos do nosso dia a dia, com algumas subversões. É que o ponto de partida de Ale foi uma mundo pós-apocalíptico, em que os humanos vivam sobre escassez extrema, obrigados a reaproveitar o que já possuíam. Por isso os acessórios feitos de cinto de segurança e sacolas plásticas, as peças tipo pijama e as modelagens clássicas reeditadas.

Bastidores do desfile de Ale Brito || Créditos: Cassia Tabatini

Bastidores do desfile de Ale Brito || Créditos: Cassia Tabatini

Reciclagem – de tudo – é um movimento forte e muito bem-vindo na moda de agora. Aqui, só falta digerir melhor as referências vindas das passarelas internacionais. O olhar para fora é normal e inevitável – e Ale sempre soube traduzir isso muito bem para seu próprio universo. Desta vez, porém, falta a adaptação à cultura e realidade local. Mas trata-se de um twist facilmente resolvido por meio do styling pessoal. Ainda bem.

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