O orgulho de ser underground que colocou a Storvo no radar mundial do streetwear

Difícil alguém que passeie à deriva pela rua Aspicuelta, na Vila Madalena, e não entre na Storvo. Difícil ainda quem prove uma das peças da marca e não se torne um “usuário”, forma como Renato Guidolin, seu fundador, costuma chamar sua clientela fixa: “Público que vai de moleques de 16 anos a caras de 45, 50 anos que trabalham em áreas criativas, sobretudo ligadas às artes e à noite. E que não se contentam em ser mais um na multidão”, conta ele em entrevista à Casa. Para destrinchar melhor a essência que faz da Storvo um destaque no cenário mundial underground, com investimento inicial de apenas R$ 300, confira abaixo nossa entrevista com o diretor criativo.

Renato Guidolin, fundador da Storvo || Créditos: Arquivo Pessoal

Renato Guidolin, fundador da Storvo || Créditos: Arquivo Pessoal

COMO TUDO COMEÇOU
A marca foi fundada em 2006 por Renato no fundo de quintal de uma casa emprestada por uma amiga e com um investimento inicial de R$ 300. No começo, ele silkava camisetas e as vendia para amigos, até que surgiu o nome Storvo e o negócio começou a tomar forma. Renato é formado em Publicidade e Propaganda e pós graduado em Design Gráfico voltado para Branding, e cresceu em Piracicaba – cidade conhecida como por sua efervescência musical. E ele viveu os anos 1990 intensamente. “Fui roadie de banda e andava muito de skate”, lembra.

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Campanha da coleção Space Oddity, da Storvo || Créditos: UM2

GUINADA
A Storvo ganhou força em 2010 com a abertura de sua primeira loja, na rua Augusta. Neste ano, Renato largou o trabalho regular em uma agência de publicidade para focar na etiqueta. Três anos depois, a flagship da marca mudou para a rua Aspicuelta, na Vila Madalena, onde está até hoje. “Adoro aqui. É um berço de gente criativa. Vila Madalena é como se fosse um Palermo Soho…”, comenta Renato. Outro motivo de ter encontrado seu berço na Vila, são os turistas que por ali circulam em busca de moda autoral. “Hoje “40% dos clientes da marca que compram na flagship são estrangeiros”, diz. Vira e mexe, músicos que estão na cidade para shows passam por lá. A mais recente visita? Os membros da banda britânica The XX.

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Campanha da coleção Space Oddity, da Storvo || Créditos: UM2

APREDIZADO
“Em 10 anos a gente mudou muito, amadurecemos. Antes fazíamos uns desenhos muito fun, muito irreverente. Hoje a gente refinou a marca e deixamos nossa irreverência mais subliminar. Criamos uma pirâmide de produtos que tenha diversas coisas. Nosso preço também mudou muito. Nossa qualidade era outra, era só eu que fazia realmente tudo. Hoje é preciso agregar novos valores ao produto, e para isso mexemos no preço. Mas o nosso mark-up é super ok, a gente acha que vende a um preço justo.”

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Campanha da coleção Space Oddity, da Storvo || Créditos: UM2

CAPÍTULO ESSENCIAL
Um dos momentos mais importantes da marca até hoje aconteceu em 2012, quando Renato modernizou o logo e criou uma identidade concreta, na qual usa sempre a mesma família tipográfica. “Criei uma identidade muito forte, onde em qualquer lugar do mundo dá pra reconhecer uma peça da Storvo mesmo que não esteja escrito Storvo. Tudo o que a gente cria segue uma família e tem um motivo. A gente não segue tendências”.

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Campanha da coleção Space Oddity, da Storvo || Créditos: UM2

UNDERGROUND
A Storvo, como sugere o nome, derivado de estorvo, é uma marca com personalidade forte e que se orgulha de ser underground baseada em três pilares: conceito, design e lifestyle. “Somos uma marca 100% Brasil e que fala uma linguagem global. A gente procura ser o mais original o possível”. Renato tem aversão a clichês e tendências e foge de conceitos de massa. “A gente quer aquela pessoa que não quer mais do mesmo. Se está todo mundo usando branco, a gente quer vestir preto”, diz ele. Questionado se tem fobia de mainstream, falou: “Não tenho fobia do mainstream. Gosto de flertar com ele! Como bandas alternativas que flertam com o mainstream mas ficam fora dele, sabe? A gente gosta de ser underground mas gosta de flertar com o mainstream.”

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Campanha da coleção Space Oddity, da Storvo || Créditos: UM2

ESTRATÉGIA DE VENDA
Para manter a marca exclusiva, Renato, que tem sua mulher como seu braço direito ajudando-o na parte comercial e financeira da marca, falou: “Trabalhamos com pequenas quantidades de cada peça. Fazemos no máximo 120 unidades de um produto (camiseta, por exemplo), que acabam sendo o bate-caixa. O resto a gente produz cerca de 60, 40, unidades. Nosso item mais lucrativo são nossas jaquetas, mas como o valor dela é muito maior, produzimos em menor quantidade.” A marca trabalha com duas grandes coleções por ano: inverno e verão. E coleções cápsulas criadas com parcerias.

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Campanha da coleção Space Oddity, da Storvo || Créditos: UM2

PRESENTE
Hoje a marca tem três funcionários internos e terceriza alguns serviços como a finalização de desenhos no estúdio de design Balaclava, em Florianópolis, e a produção das peças. Para Renato, a parte de encontrar bons fornecedores é a mais complicada. “Trabalhamos apenas com um, de malharia, que fica no Sul, e uma costureira de tecido plano em São Paulo.” A marca está presente em 10 pontos de venda selecionados Brasil afora. Vendas online são importantes também, pois atendem clientes no mundo todo, mas não ultrapassam as vendas da flagship.

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Campanha da coleção Space Oddity, da Storvo || Créditos: UM2

PRÓXIMO PASSO
Questionado sobre a abertura de mais lojas, Renato falou: “Já pensei em abrir mais lojas, mas dá muito trabalho. Precisaria ter algum investidor”. Sobre a entrada em shopping, completou: “Já recebi milhões de propostas mas não vou. Odeio shoppings.”

*As fotos que ilustram a matéria são da campanha da coleção Space Oddity, recém-lançada e considerada por Renato a mais legal até hoje. Não à toa, os cliques acabam de sair no site Hypebeast (leia a matéria aqui). Justo, né?

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A fachada da flagship da Storvo, na Vila Madalena || Créditos: Divulgação

+storvo.com

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