Os 5 filmes mais importantes do Festival de Cinema Cannes por quem entende: Duda Leite!

Quer falar de cinema, chama o Duda Leite! Os motivos são muitos: ele está atualmente produzindo 20 programas sobre o Festival de Cannes, com o material que captou durante o festival para o canal EUROCHANNEL, para quem já cobriu várias vezes desde o final dos anos 90. Ele também será júri neste ano do Festival In-Edit, dedicado aos Documentários Musicais, que começa na próxima semana. Duda também está fazendo a curadoria da quinta edição do Music Video Festival, que vai rolar este ano nos dias 29 e 30 de julho no MIS, em São Paulo. Fora isso, é membro do comitê de seleção do Festival de Curtas de SP, que deve rolar em agosto deste ano! Bom, pedimos pra ele contar quais foram os 5 filmes mais legais que assistiu em tempo real em Cannes. Anote aí, cinéfilo!

1. LE REDOUTABLE de MICHEL HAZANAVICIOUS (Competição Oficial)

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Quando anunciaram a Seleção Oficial de Cannes, um dos filmes que mais me chamaram atenção foi este LE REDOUTABLE, terceiro filme do diretor francês Michel Hazanavicious (diretor do “O Artista”). Uma comédia leve sobre a fase mais “POP” do ícone-intelectual Jean-Luc Godard parecia uma premissa no mínimo intrigante. Após uma declaração do próprio Godard, normalmente avesso a se pronunciar em público, dizendo que “este projeto é uma bobagem”, fiquei ainda mais curioso. Enfim, vi o filme e, surpresa: é uma delícia! Para os amantes da estética “60’s POP Made in France”, também conhecida como “Yé Yé”, o filme é um delírio com sua recriação perfeita de modelos e cenários de Paris e da Côte D’Azur, no conturbado ano de 1968. Godard é vivido pelo sex symbol do cinema indie francês Louis Garrel. O elenco traz ainda a bela ex-modelo Stacy Martin (que fazia a personagem da jovem Charlotte Gainsbourg em Ninfomaníaca), como Anne Wiazemsky, que teve um relacionamento amoroso complicado com Godard, e que lançou uma biografia na qual o filme é baseado. O filme já foi comprado para o Brasil e deve ser lançado ainda este ano pela distribuidora IMOVISION.

2. VISAGES, VILLAGES, de AGNES VARDA & JR (exibido Fora de Competição)

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Agnes Varda é um dos maiores ícones do cinema francês. Ela surgiu junto com a Nouvelle Vague (movimento cinematográfico surgido na França nos anos 60), e continua na ativa até hoje. E aos 89 anos ela apresentou um dos filmes mais “frescos” exibidos em Cannes: “Visages, Villages”, co-dirigido pelo fotógrafo e cineasta JR, famoso por colar suas fotos em escala gigante por vários lugares na França. JR e Agnes passeiam pelo interior da França em busca de histórias e pessoas interessantes para JR fotografar e Agnes filmar. Eles descobrem vários personagens incríveis e criam algumas das imagens mais POP e emocionantes exibidas este ano na Croisette. Curiosamente este filme também faz uma homenagem a Godard, mas às avessas: Agnes e JR vão até a casa do recluso diretor no interior da Suíça e Godard simplesmente não atende a porta!

3. THE KILLING OF A SACRED DEER de YORGOS LANTHIMOS (Competição Oficial)

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Quem viu o estranho “O Lagosta”, sabe que não dá para esperar nada de muito “normal” do diretor grego Yorgos Lanthimos. Mas este seu novo filme “The Killing of a Sacred Deer” vai surpreender até mesmo os fãs do diretor. É basicamente um filme de terror, cheio de tensão sexual, sobre um cirurgião (Colin Farrell) que se aproxima de um adolescente (vivido pelo incrível Barry Keoghan), cujo pai morreu numa operação comandada pelo personagem de Colin. A esposa de Colin é vivida por Nicole Kidman (que levou um prêmio especial em Cannes – ela estava lá simplesmente com 3 filmes e uma série para TV – “Top of the Lake”), e o casal tem uma vida sexual bem estranha: para agradar o marido na cama Nicole tem que se passar por uma paciente pós-anestesia geral. O filme mistura esta tensão sexual entre os 3 personagens (o adolescente nutre uma estranha obsessão pelo cirurgião), com acontecimentos sobrenaturais. Em alguns momentos o filme lembra os filmes de Stanley Kubrick – com quem Nicole Kidman trabalhou em “De Olhos Bem Fechados”. E ainda tem uma participação curta, mas memorável, da eterna “Patricinha de Beverly Hills” Alicia Silverstone. Imperdível!

4. JEANNETTE de BRUNO DUMONT (Quinzena dos Realizadores)

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Bruno Dumont começou fazendo filmes super rígidos, áridos e “cabeça”. Mas, há 3 anos, deu uma guinada na sua carreira e lançou a série para TV “P’tit Quinquin” (exibida aqui em SP, na MOSTRA de SP), uma comédia maluca com toques à la David Lynch, e desde então não parou mais de “sambar na cara da intelectualidade” cinéfila mundial. Este ano ele levou à Quinzena Dos Realizadores (a mais importante mostra paralela em Cannes) seu “Jeannette”, uma comédia musical sobre a infância de Joana D’Arc, ou seja: escândalo na Croisette! Os franceses não gostaram, mas os números musicais com a jovem Joana D’Arc fazendo “head bangs” – a trilha é Heavy Metal – ao lado de freiras gêmeas são hilários! Espero que a MOSTRA de SP traga o filme! Não é para qualquer gosto, mas foi um dos filmes mais radicais exibidos em Cannes este ano.

5. THE SQUARE de RUBEN ÖSTLUND (Competição Oficial)

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Quem viu “Força Maior”, lançado nos cinemas aqui no ano passado, sabe que o sueco Ruben Östlund é um dos maiores pensadores do cinema contemporâneo. Este “The Square / A Praça” é uma crítica ácida ao mundo da arte contemporânea, com seus curadores pernósticos e diretores de Museus querendo “causar” de todas as formas nas redes sociais. O filme não tem uma narrativa convencional, mas segue a vida louca de Christian (vivido pelo ator dinamarquês Claes Bang), o diretor de um museu em Estocolmo, que abre uma exposição cuja obra principal é justamente a “The Square” do título: uma praça no meio da cidade onde “não há regras e qualquer um pode fazer o que quiser”. Isso cria, claro, situações totalmente absurdas beirando o surrealismo. Numa das melhores cenas, Christian leva para casa uma jornalista (vivida pela excelente Elisabeth Moss, a Peggy da série “Mad Men”) e, após transar, ela pede que ele lhe dê a camisinha para jogar fora. A cena é hilária! Num outro momento, descobrimos que Elisabeth Moss tem um chimpanzé de estimação, com quem divide seu apartamento. O filme tem ainda uma sequência incrível onde, durante um jantar, várias pessoas da sociedade sueca são forçadas a participar de uma performance com um “homem/macaco” vivido pelo ator Terry Notary, que não termina nada bem. Irônico, cáustico e muito engraçado, o filme agradou tanto o júri presidido pelo espanhol Pedro Almodóvar, que acabou levando a Palma de Ouro – o principal prêmio de Cannes.

Olha aí o Duda Leite no Festival de Cannes! || Créditos: Arquivo pessoal

Olha aí o Duda Leite no Festival de Cannes! || Créditos: Arquivo pessoal

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