Exposição vai buscar no readymade de Duchamp inspiração e reúne de Hélio Oiticica a Tunga

Para comemorar os exatos cem anos do episódio que chocou o mundo das artes, quando Marcel Duchamp (sob pseudônimo de R. Mutt) colocou um urinol em uma exposição no Salão de Artistas Independentes de Nova York, a N+1 arte e cultura vai promover em São Paulo a exposição “Ready Made in Brasil”, que estreia no dia 10 de outubro no Centro Cultural Fiesp. Nela, um panorama da influência do readymade na produção artística brasileira de diferentes gerações, partindo dos anos 1960 até o presente. Os conceitos de apropriação e deslocamento, bases do readymade, são os eixos condutores da exposição, que reúne 50 artistas. Tudo com curadoria de Daniel Rangel.

Satélites, de Antonio Dias

“A mostra Ready Made in Brasil celebra o centenário da obra Fonte de Marcel Duchamp, primeiro de seus readymades apresentado ao público, e sua ressonância na produção artística brasileira. A escolha dos artistas e obras que compõe a mostra se constitui a partir de dois eixos centrais: a proximidade direta com a obra de Duchamp e a conexão com o universo da indústria e da construção civil, ressaltado pelo espaço cultural que abriga a mostra”, afirma o curador. Daniel Rangel ainda destaca que o próprio título da mostra é em si um readymade, “algo que surge da fusão e da apropriação de dois termos populares: readymade e made in Brasil”.

Portrait, de Alexandre da Cunha

Ready Made in Brasil apresenta os Popcretos, de Augusto de Campos e Waldemar Cordeiro, mostrados na Galeria Atrium em 1964, assim como um exemplar de Bólide, de Hélio Oiticica. Os Bólides compõem uma série de trabalhos de Oiticica iniciados em 1964, quando o artista colocou o espectador em contato com diferentes artefatos de vidro, plástico e cimento, explorando a relação espectador-objeto a partir de uma conexão que se pretende intuitiva. Ainda dentro deste período, a mostra inclui obras de Lygia Clark, Lygia Pape, Wesley Duke Lee e Nelson Leirner (sendo esses dois últimos membros do Grupo Rex, atuante em São Paulo entre 1966 e 1967).

Ping Poem, de Leonora de Barros

A exposição também apresenta trabalhos dos principais artistas da geração dos anos 1970, que foram influenciados pela arte conceitual. Entre eles, Tunga, com a série Objeto do conhecimento Infantil, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1974. Regina Silveira, Cildo Meireles e Waltercio Caldas também estarão na exposição. A partir dos anos 1980, a maioria dos artistas já não se define mais como pintores ou escultores, no sentido tradicional. Seus trabalhos, muitas vezes, renovam o conceito do readymade duchampiano. São eles Jac Leirner, Marepe, Marcos Chaves, Felipe Cohen, Alexandre da Cunha, Pablo Lobato e Detanico Lain.

Quadro a Quadro, de Nelson Leirner

Então é isso, vamos, né?

Serviço:
Exposição Ready Made in Brasil
Local: Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp (av. Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon Masp do Metrô)
Período: 10 de outubro de 2017 a 28 de janeiro de 2018
Horários: diariamente, das 10h às 20h
Classificação indicativa: livre
Agendamentos escolares e de grupos: 3146-7439
Grátis. Mais informações em www.centroculturalfiesp.com.br

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