Na coluna desta semana de Luigi Torre… UM GUIA RÁPIDO PARA UMA MODA MAIS LEVE E HUMANA

Por Luigi Torre

Fim de ano e a gente faz o quê? Come, bebe e dorme. E faz listas. Porque o mundo está parado e quase nada de relevante acontece (exceto a saída de Phoebe Philo da Céline, onde ela era diretora de criação). Rola aquele momentinho de olhar para trás e pensar para frente. Entender o que rolou e planejar o que pode rolar e como rolar da melhor forma possível. Pensando nisso — e lembrando que 2017 foi o ano em que a gente parou de aceitar um monte de coisas do velho funcionamento e sistema de moda e exigir um tanto de outras —, aí vai um guia rápido para uma moda mais leve e humana.

_conheça de quem você está comprando. Assim você consegue ter alguma ideia de como e por quem sua roupa foi feita. Saber se determinada marca já esteve envolvida em casos de trabalho análogo à escravidão, se ela se compromete em reduzir os impactos na natureza gerados pelo processo de confecção e, principalmente, se ela trata seus funcionários e você — consumidor — como seres humanos de fato. Eu sei, não é fácil manter esse rastreamento, mas hoje já existem uma série de instituições, como o Fashion Revolution, e até um app, o Moda Livre, que mantêm essas informações disponíveis ao público.

_lembre-se de que tamanho não é documento. Há toda uma nova geração de marcas (Neriage, Isaac Silva, Renata Buzzo, Ben, Weider SIlveiro) que escolheram e fazem questão de permanecer pequenas. Por quê? Porque em estruturas menores é possível manter mais controle sobre todos os processos da cadeia de produção. Também é mais fácil evitar práticas abusivas do mercado e da indústria e garantir a devida remuneração a todos os profissionais envolvidos. Algumas dessas labels ainda fazem questão de reduzir ao máximo os impactos no meio ambiente ao reaproveitar sobras, usar materiais orgânicos e menos poluentes e produzir em menor escala, muitas vezes apenas sob demanda, reduzindo desperdícios.

_faça e peça as contas. Entender custos e valores é essencial para uma moda mais transparente, sustentável e consciente. É saber que uma camiseta que custa 10 ou 20 reais jamais estará pagando devidamente quem a fez. É saber que um produto de uma marca pequena custa mais caro, pois foi feito à mão, usou material de qualidade, levou tempo e trabalho (de muitas pessoas) para chegar ao ponto de venda. Dinheiro tá curto? Não dá para sair gastando tanto assim? Pensa que a camiseta de 10 ou 20 reais vai se desfazer em alguns meses de uso, a roupa da marca pequena vai durar bem mais. A camiseta de 10 ou 20 reais foi feita por uma pessoa que, muito provavelmente, trabalha muito mais horas que você e ganha muito menos. A roupa da marca pequena dá possibilidades reais para quem quer viver de moda — e não estou falando só do estilista.

_tente não gastar. Já tem roupa demais no mundo. Investir ou gastar numa peça incentiva a economia, dá condições de crescimento às marcas e à moda, mas também só alimenta uma indústria saturada. Peças feitas a partir de tecidos antigos e roupas velhas são uma opção — o upcycling é uma prática cada vez mais comum. Comprar em brechós também ajuda. Mas ainda dá para ir um pouco mais a fundo e experimentar serviços de aluguel de roupas e as iniciativas de guarda-roupa compartilhado.

_não apoie quem não te apoia. Em outras palavras, não dê dinheiro a pessoas uós. Marca e estilista com discurso de ódio, machista, racista ou preconceituoso não merece sua atenção, muito menos seu investimento. Evite.

Na foto tirada do Facebook, dedinhos pra caretice de Luigi Torre e de sua parceira Giuliana Mesquita!

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