Na primeira coluna de 2018 de Luigi Torre… POR UM ANO INTEIRO DE CARNAVAL

Por Luigi Torre

Segundo ditado popular, o ano só começa depois do carnaval. Porém, dado o estado das coisas aqui e no mundo, seria bastante útil fazer de todo este 2018 um grande carnaval. Confia em mim e o resultado será um ano bem mais leve, divertido e revolucionário até. Senão uma folia de 365 dias, pelos menos a liberdade (e libertinagem) que nos permitimos entre aquele sábado e quarta-feira de cinzas estendida ad infinitum.

Quem deu essa letra foi o pessoal do bloco Tarado Ni Você. Na página deles no Facebook escreveram: “O Bloco Tarado Ni Você se despede de 2017 sem festa. Mas com um chamamento. Em 2018 não teremos apenas um tema e sim uma trama. Um verdadeiro levante. Queremos todos livres e iguais. Bois, vacas, bezerros com o direito de escolherem ser o que quiserem, de resistir e de lutar sempre. Todo o leite bom para lavar as ruas paulistas de um velho conservadorismo, de um caretismo violento e estagnado. Sagrado é nosso estado de espírito. Nosso #Profane2018 é um chamado em expansão. Seja o que for, desde que seja sagrado, que respeite e seja livre! Vamos jorrar alegria por becos, sarjetas, vielas, por todas as frestas possíveis, afogando esse grito conservador e abafando-o com nossa cantoria, nossa folia, nosso mugido. Vamos jorrar o respeito à nossa felicidade sobre toda forma de raiva, de medo, de preconceito, de tristeza. Sorrir é também uma forma de resistência, e provocar o riso, incitar a felicidade, isso é também uma revolução!”

Fervo também é luta. E o que a gente decide vestir no fervo é ferramenta de protesto, meio de comunicação com potencial megafônico e alcance amplificado pelas vibes em sintonia do rolê. A noite, as festas e principalmente toda a cena underground sempre tiveram papeis libertários e de resistência ao longo da história. Os cabarés da República de Weimar, em Berlim, a disco no auge da crise econômica nos anos 1970, o hip-hop nas áreas mais degradadas e conflitantes da Nova York, o grunge nos anos 1990, os clubbers e as raves próximo à virada do milênio.São manifestações culturais que funcionam como reflexos de uma sociedade e suas vontades. Um liquidificador doido de todo o potencial artístico da arte, do cinema, da música e da moda.

Não é à toa que festas de rua e aquelas organizadas por coletivos musicais ou artísticos vem chamando cada vez mais atenção. Quando a vida dói, drink cowboy. Aceitar a realidade é importante, mas escapar dela é também. Expressar e extravasar na noite tudo aquilo que é reprimido durante o dia, é não só uma manifestação válida, como um ato de resistência. Pequenos intervalos pré-programados em que nos permitimos viver, gozar e ser quem e o que quisermos são essenciais a nossa sobrevivência. Rupturas do cotidiano em que podemos tudo, a começar com o que escolhemos cobrir ou não o corpo. Livres. Plurais, como num eterno carnaval de autoestimas delirantes.

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