Seja marginal, seja herói! Os novos sons do Brasil em entrevista com o jornalista e músico Rafael Gregorio!

Muita gente anda de muito blablablá nas redes sociais dizendo que não existe mais música boa sendo produzida no Brasil e o site da Casa de Criadores decidiu mostrar que, calma, a cena musical só cresce. É só parar de reclamar e pesquisar. Quem ajuda a gente nesta reportagem sonora é Rafael Gregorio,  jornalista da “Folha de S.Paulo” e vocalista da banda Circo Motel, formada em São Paulo em 2008. “Alguns dos integrantes já tocavam juntos desde 1998 e o grupo lançou um EP (homônimo) em 2008, depois um disco em 2011 (Sobre Coiotes e Pássaros) e um segundo disco em 2016 (auê)”, conta Gregorio, que na “Folha” é repórter e nos últimos tempos editou uma página chamada “Folha Corrida”, uma espécie de Primeira Página mais jovial e imagética. “Trabalhei na Ilustrada e atualmente estou em um projeto sobre as vindouras eleições. Independentemente do posto ou das tarefas mais habituais, costumo me dedicar também a reportagens sobre assuntos de meu interesse, principalmente cultura (música, livros), relações internacionais, política e direitos humanos. A última semana foi bem ilustrativa: entrevistei Jorge Ben Jor sobre uma música nova que lançou e publiquei uma reportagem analítica sobre a participação das mulheres na política”. Abaixo, ele (que também vem buscado se especializar em direitos humanos e desigualdade) indica pra gente talentos da nova música brasileira.”

“Vou começar pela banda Garotas Suecas, que é uma paixão antiga. Certamente é o grupo de que mais vi shows (uns 15, se me lembro), e na minha opinião é a maior banda de rock do país. Desde o lançamento do auê, a Irina, tecladista do Garotas, passou a fazer parte do Circo Motel, o que pra mim é um prazer e um orgulho. Tocar com uma ídola ;)”

“Ainda puxando para o rock, tenho ouvido bastante Carne Doce e Boogarins, salvo engano ambas as bandas de Goiânia (GO). E Bike, um grupo de rock psicodélico, e Sol a Pino, um conjunto paulistano de rock poético e brasileiro.”

“Mais pra MPB, gosto muito do Filipe Catto, na minha opinião o maior artista advindo dessa geração que ascendeu no fim dos anos 2000, início dos anos 2010, sob o rótulo de nova MPB. Creio que são uma voz e um rosto com que teremos muito contato, um artista que deve se mostrar longevo. Muito poderoso ao vivo.”

“Também sou fã do Rodrigo Campos (que integra outros projetos, como o Passo Torto, e é parceiro dos músicos do Metá Metá) e do (Thiago) Galego, ambos artistas muito talentosos.”

“Chamo a atenção ainda para o grupo Mustache e os Apaches, que tem desenvolvido uma carreira sólida, e para a cantora Luedji Luna, cujo primeiro disco “Um Corpo no Mundo” é em quase todos os aspectos um manifesto – mas não só por isso, a musicalidade dela também me atrai.”

Agora sobre o Circo Motel

“Esse último disco (auê) nos deu grande projeção. Fizemos shows importantes e bem resenhados no Sesc Ipiranga e no Sesc Pompeia, na choperia, onde o lançamos, e rodamos bastante por palcos na capital e no interior com esse trabalho. Sobre a sonoridade, desde o primeiro álbum, nossa proposta era regenerar e abrasileirar o rock n’ roll que embasou nossas musicalidades na infância e na adolescência. Também tivemos um romance tórrido com o funk e o soul, possivelmente com filhos. Creio que conseguimos juntar essas coisas todas no auê, cujo gênero foi bem definido em reportagens e resenhas como rock soul tropical. Contudo, os integrantes do Circo passaram todos por momentos muito difíceis nos últimos anos – trágicos, em alguns casos. de tal forma que em 2017 nossa principal tarefa foi sobreviver (risos). Agora soa até positivo ou mesmo engraçado (a depender da predileção do interlocutor pelo sarcasmo…), e ainda bem que agora soa assim. Mas foi bem pesado e é de gratidão o sentimento por estarmos aqui e unidos. Nos últimos meses, nos reagrupamos enquanto uma banda (estivemos sempre muito próximos como amigos) e voltamos a tocar e a fazer planos. Creio que os próximos meses vão ser de surpresas bastante positivas para quem aprecia a banda. Mas quem sabe?”

“Falando por mim, tenho olhado com carinho para o rock n’ roll de novo – me parece que a chamada nova MPB já deu conta de quase tudo o que ainda havia para ser feito no que diz respeito à miscigenação entre rock e raízes brasileiras, como samba e o próprio funk dos anos 1970”, termina Gregorio. E fim!

Rafael Gregorio e a banda Circo Motel

 

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