Ler pra não ser consumido! Alexandre Staut, escritor e editor do site São Paulo Review, indica 5 livros!

Quem está na área é Alexandre Staut, que acaba de lançar “O Incêndio”, ficção sobre uma biblioteca incendiada criminosamente por uma prefeitura. A obra vem para tomar o lugar de “Paris-Brest”, livro sobre os anos em que ele passou na França trabalhando como cozinheiro. Para a Casa de Criadores, Ale (que também é o criador do site São Paulo Review) indica cinco livros atuais que na sua opinião merecem ficar na memória.

Casa de Criadores – Conte um pouco sobre O incêndio, seu novo livro, e sobre Paris-Brest.
Alexandre Staut – O incêndio é sobre uma biblioteca incendiada criminosamente por uma prefeitura. É a forma truculenta que o poder público vê de exterminar um bem cultural, sem entrar em polêmicas com os cidadãos de uma localidade brasileira não identificada. A curiosidade do livro é que o bibliotecário que conta a história tem alucinações, transformando-se em Fernando Pessoa, Paul Verlaine, Virginia Woolf e outros escritores. Paris-Brest traz memorias dos três anos e meio em que trabalhei como cozinheiro em diversas cozinhas na França. É um livro bem leve, leitura de viagem, com dicas de onde comer e onde não comer na França. Livro para levar no avião, para ler na praia.

Casa de Criadores – Conte sobre seu site São Paulo Review.
Alexandre Staut – A São Paulo Review é uma revista literária inspirada na Paris Review, London Review of Books, The New York Review of Books. Surgiu de uma necessidade que percebi entre o “povo da literatura”. A produção literária brasileira, hoje, é grande, diversa… há livros ótimos, que não encontram espaço na grande mídia, que publica apenas autores de muito prestígio. A São Paulo Review tem mudado um pouco esse cenário.

Casa de Criadores – Agora cinco livros atuais, nacionais ou internacionais, que merecem ser lidos.
Ale Staut – Leonardo da Vinci, de Walter Isaacson (editora Intrínseca). Biografia detalhada do mestre das artes, criador da Monalisa. Leonardo foi um cara à frente de seu tempo. Além de artista e engenheiro, trabalhava com entretenimento, criava peças teatrais, assim como cenários de espetáculos. Ele ditava moda em tudo, inclusive na própria moda (usava túnicas cor de rosa, por exemplo, num tempo em que homens vestiam roupas discretas com preto e cinza). Leonardo era foda. Leonardo era babado. Melhor livro que li nos últimos tempos.

Baseado em fatos reais, de Delphine de Vigan (editora Intrínseca). É um triller poderosíssimo e perturbador sobre uma psicopata que persegue uma escritora. O livro virou filme pelas mãos de Roman Polanski e deve estrear no Brasil em breve.

Instrumental, de James Rhodes (editora Rádio Londres). Rhodes é pianista clássico inglês. Aqui, ele conta a história da sua vida. Quando criança, foi estuprado e abusado dezenas de vezes. Quando cresceu, tornou-se viciado em drogas. O livro é sobre como a música o salvou de seus fantasmas. Livro lindo de escrita crua! Merece ser lido!

 

Amora, de Natalia Borges Polesso (Não Editora). Traz contos sobre relações sexuais entre mulheres. Livro super premiado lançado há alguns anos no Brasil.

Desamores da portuguesa, de Marta Barbosa Stephens (Motor editorial). É um livro sobre o encontro entre uma brasileira e uma portuguesa, em Londres. As duas falam sobre a vida e sobre os desamores. De uma beleza sem fim. Vai ser lançado em abril. Tive a sorte de ler em primeira mão.

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