Um salto ao outro continente! Portugal das artes em entrevista com a fotógrafa Diana Nobre

Portugal nunca esteve tão no sonho dos brasileiros e começamos aqui a pensar em personagens para nos contar um pouco do mundo das artes no país irmão. Chegamos à fotógrafa Diana Nobre, que nesta entrevista fala sobre seus trabalhos, influências e como é viver e fotografar em sua terra natal.

Fotografia na alma

“Desde que me lembro de ser gente, que sempre quis ser fotógrafa, acho que nunca pensei que fosse ser de outra forma. Era mesmo muito pequenina e a minha mãe comprava-me máquinas descartáveis sempre que íamos de férias. Comprava-me revistas de moda, eu não as queria ler, nem tão pouco me interessava ler, mas simplesmente me fascinava ver as imagens. Ainda hoje é assim: compro revistas e não as leio, apenas quero ver as imagens. Comecei a trabalhar muito novinha, com 14 anos a lavar pratos num restaurante para comprar a minha primeira máquina. Aos 20 comecei a trabalhar como assistente de fotografia e desde aí até agora não fiz mais nada se não fotografar.”

O jeito autodidata de fazer

“Aos 20/21 anos comecei a fotografar moda nos tempos livres e de uma forma autodidata. Não conhecia ninguém no meio, nem tão pouco sabia como se organizava uma sessão deste gênero. Comecei a falar com pessoas pelo Facebook, e a pedir contatos. Fui conhecendo profissionais da área e fui subindo devagarinho o meu caminho. Neste ramo, pelo menos em Portugal, o processo é bastante lento para conseguir chegar lá, funciona em volta dos conhecimentos que tens. Apesar disso nunca me preocupei muito em fazer conhecimentos. Para lá chegar a minha única preocupação sempre foi atingir o tipo de fotografia que sempre idealizei para mim, um tipo de fotografia de moda que despertasse feelings nas pessoas, essa é a parte que me faz mais feliz.”

Trabalhos para lembrar

“Os que mais me marcaram até hoje foram dois editoriais que fiz em Marrocos. Há dois anos  foi onde eu comecei a encontrar o tipo de fotografia de moda que queria fazer. Foi um trabalho que não foi pago por um cliente, mas sim pago por mim. Tive cerca de um ano e meio a juntar dinheiro para poder levar comigo a equipe que queria para me ajudar a fazer o tipo de imagens que procurava e idealizava na minha cabeça há imenso tempo. E assim fiz: tivemos muitas complicações de logística, mas no final de tudo correu tudo bem e fizemos um ótimo trabalho. Foi nesse trabalho que dei um saltinho maior. Essas fotografias saíram em várias revistas como Marie Claire Grécia, Marie Claire Indonésia e na Edit Mag (uma revista portuguesa). A partir daí já sinto a ter retorno dos meus 7 anos de dedicação a fotografia de moda.”

 

O melhor de Portugal

“Portugal é um país rico em história, e não é por ser o meu país que o digo, acho que é um sítio lindíssimo para visitar. Existe um bocadinho de tudo: praias, montanhas, planícies, ilhas e uma arquitetura que eu acho lindíssima, que vai desde a nativa até ao dia de hoje. Existe edifícios de todo o tipo de arquitetura pelo país inteiro. Para além dos locais a visitar tem uma gastronomia incrível a provar, para vários gostos. Acho que a nível de turismo em Portugal está se a tornar mais evoluído, e isso foi uma grande ajuda para a nossa economia devido à crise que passamos uns anos atras. Tenho orgulho de pertencer a este bocadinho de terra aqui no cantinho da Europa tão pequenino e longe de confusões.”

 

Grandes influências

“Confesso que tenho uma influência muito variada porque aprecio vários tipos de fotografia, sempre dentro da área moda. Há alguns nomes que me cativam mais do que outros como por exemplo: Peter Lindnergh para mim é dos fotógrafos na área da moda que tem uma sensibilidade para imagens com feeling incrível, Fanny Latour-Lambert: sou apaixonada pela luz e edição dele. Lachlan Bailey e Sebastian Kim também. No cinema, Terrence Malick tem uma linguagem linda, para mim é a minha maior influência em todos os aspectos.”

Brasil de Gil, Jobim etc

“Não conheço o Brasil, mas está sem dúvida na lista dos países a visitar. Para ser sincera, a arte brasileira que mais aprecio é a música e o cinema. Gosto muito do cinema brasileiro, mas a maior paixão é com a música como por exemplo António Carlos Jobim, João Gilberto, Gilberto Gil etc.”

 

Novos rumos da fotografia

Hoje em dia existe muita oferta tanto de material quanto de profissionais a prestar o serviço de fotografia. A nível de material, é incrível porque aumenta as técnicas que podemos usar para resultados diferentes. A nível de aumento de profissionais, acho muito bom para cada profissional, pelo menos comigo obriga-me a esforçar-me para ser cada vez melhor. Há tantos bons fotógrafos por ai, com trabalhos incríveis, e isso a mim inspira-me sem dúvida alguma. Por outro lado, tenho pena do rumo que a fotografia está a tomar. Hoje em dia qualquer pessoa tem um celular que tira boas fotografias. Qualquer pessoa dá o seu palpite de fotografia, é muito mais fácil ter acesso à fotografia hoje em dia do que 15 anos atrás. Então com as redes sociais isso ainda aumentou mais. Claro que é bom existir essa sensibilidade nas pessoas para a arte da fotografia, claro que sim, apenas não gosto do outro lado da moeda, que somos nós profissionais que muitas das vezes desvalorizam o nosso trabalho, então regateiam os preços muitas das vezes em demasia ou pedem mais umas fotografias pelo mesmo preço. Não tenho problemas em baixar um pouco o preço, às vezes em prol de ajudar as pessoas quando vejo que é o meu trabalho que preferem. Tenho todo o gosto em o fazer, mas muitas das vezes há clientes que excedem o seu pedido, mas a minha questão é, por exemplo, quando as pessoas vão à Zara, regateiam o preço? E no médico regateiam também? O trabalho, os anos de pesquisa e estudo que estão para trás e o investimento em material de cada profissional, seja qual for a área deve ser sempre respeitado, cada pessoa tem o seu valor como profissional e todo o seu caminho o levou àquele valor que para si é o que ele merece receber. Quem o vai contratar tem o livre-arbítrio de escolher se quer pagar esse valor ou não.

Fotógrafos de Portugal?

“Gosto do trabalho do Ricardo Santos.”

A fotógrafa Diana Nobre

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