Arte + arte com Renato De Cara, novo diretor do Departamento dos Museus Municipais de SP

Renato De Cara, se você ainda não conhece, bem… ele é jornalista, fotógrafo, deboísta por natureza e nos últimos anos criou e consagrou a Galeria Mezanino. A convite do Secretário Municipal da Cultura, André Sturm, recebeu em novembro do ano passado o convite para dirigir o Departamento dos Museus Municipais de São Paulo. Uma reviravolta e tanta em sua vida, hein? Abaixo, ele partilha com a gente suas impressões sobre a arte no Brasil, fala da nova fase em sua carreira e mais… arte! Segue lendo.

O novo job, na prática… “São 15 equipamentos no total. Treze deles são chamados Museu da Cidade, considerando várias casas históricas espalhadas por toda a cidade, além da OCA e do Pavilhão das Culturas Brasileiras (em reforma) – ambos no Parque do Ibirapuera. Tenho uma equipe de, aproximadamente, 30 pessoas além de outras equipes terceirizadas.”

E a Mezanino, Renato? “A Mezanino surgiu faz 12 anos, muito espontaneamente, da vontade e oportunidade que tivemos em acessar vários espaços ociosos da cidade, apresentando novos e consagrados artistas em formatos variados. O projeto cresceu, se profissionalizou, chegou a ter sócios investidores por dois anos. No momento, estava, de novo, trabalhando com o acervo com horário marcado e exposições itinerantes em espaços parceiros. Pela dinâmica, resolvi deixar o projeto em modo avião, digamos.”

Um breve balanço: “Muita gente começou a aparecer junto com a Mezanino – tenho muito orgulho disso. Posso citar alguns nomes como Leo Sombra, Daniel Malva, Ulysses Bôscolo, Biel Carpenter, Junior Suci, Mauricio Parra, Luanna Jimenes, Ariel Spadari, Eduardo Sancinetti, Emidio Contente e Felipe Cidade, entre outros. Dos consagrados nomes foram Giselle Beiguelman, Francisco Maringelli, Sergio Niculitcheff e Marlene Crespo. Consegui produzir individuais e coletivas muito especiais, incluindo o festival de performances Movimenta que durante três anos realizamos; a individual da Thelma Vilas Boas – Nada Interessa Mais, que inaugurou o espaço em Pinheiros e a coletiva Tristes Trópicos, que fechou o mesmo espaço e que dividi a curadoria com a Daniela Bousso.”

Está difícil fazer arte no Brasil? “O mercado é muito pequeno e fechado, por razões de cultura e recursos. Na Mezanino procurava trabalhar de uma maneira disponível, formando novos públicos e colecionadores. Para o mercado, além de dinheiro e conhecimento, é preciso ter muito relacionamento.”

Tupi or not tupi? “Provavelmente não mais que uma dúzia de artistas brasileiros contemporâneos conseguiram uma inserção internacional através de contatos poderosos pelo mundo das instituições. As distâncias, tanto físicas quanto econômicas são gigantescas. Vamos caminhando passo-a-passo na confirmação de uma produção que importa e se faz importante. Alguns galeristas e colecionadores influentes também estão construindo essa ponte.”

Quero ser artista, e agora? “Frequente, estude, pesquise, produza e insista. Acredite no seu trabalho e compartilhe. Se o trabalho for relevante, um dia ele terá seu espaço.”

Eles não ligam pra gente… “Acredito que haja muita ignorância e despreparo em muitos setores. A nós, como produtores culturais, cabe a perseverança naquilo que fazemos como profissionais.”

O De Cara pessoa: “Tenho disposição de olhar para muita coisa. Venho pesquisando bastante a arte dita popular, assim como a contemporânea. Estou acompanhando alguns artistas, inclusive com oficinas de leitura de portfólios. Isso me alimenta muito!”

Arte e moda, hein? “Acho que a expressão artística pode ter N suportes disponíveis. Um deles pode ser o vestuário, dentro de um ateliê autoral ou em uma criação de figurino. A moda como produto é outro assunto.”

Visite a galeria Mezanino aqui!

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