Depois de coleção pautada pela depressão, Diego Fávaro vai apostar na luz das práticas esportivas

Sete vezes Casa de Criadores
“Já apresentei sete coleções na Casa de Criadores, está é a minha oitava vez. Fazer parte de um calendário de moda me faz refletir diversas questões, do tipo: como transformar a ideia utópica da minha cabeça em algo completamente comercial que possa ser usado facilmente nas ruas. Essa interação de imagem de passarela com a moda de rua é muito questionado quando estou planejando a coleção. Eu tenho um espirito empreendedor muito forte, sou perfeccionista ao extremo e a cada temporada sinto que isso vai se fortalecendo”, começa o estilista, que aparece na foto acima!

Sentimentos transformados em roupas
“2017 foi um ano em que transformei a minha mente doente e fraca em algo bom que me fazia sair de casa e continuar a viver. Passei por momentos ruins (hoje em dia com menos frequência, mas ainda tenho recaídas), nos quais eu não sentia vontade de acordar na manhã seguinte. Os dias cinzas eram horríveis, eu andava na rua e tudo parecia girar normalmente, mas não conseguia me inserir naquilo e ficar bem, meu mundo parecia ter parado de rodar. Tive ajuda das pessoas queridas que me cercam, faço terapia com frequência, mas definitivamente o que me faz melhor, o que me deixa bem mesmo é trabalhar com o que eu gosto. Tem sido um exercício de auto-conhecimento, de compreensão sobre quem somos e qual o significado da nossa existência. É uma experiência indescritível a de poder buscar a cura ou a estabilidade emocional desta forma. É paixão. O processo inicial é muito difícil, é como cutucar a ferida com a ponta da faca, e logo em seguida vem os questionamentos, do tipo: o que eu eu posso fazer (na minha moda) para ficar bem em dias cinzas? Foi aí que comecei a inserir dezenas de cores na coleção apresentada em maio do ano passado. Uma coleção que fala sobre depressão, geralmente é algo sombrio, mas aquela não era só uma coleção para falar sobre a depressão, era um processo de cura no qual eu estava buscando.”

Street + sportswear
“Sim, é street e sportswear mais do que nunca. Tenho traçado esta imagem na marca e tem dado muito certo, eu amo demais o universo da rua e do esporte. Esta coleção na Casa de Criadores é comemorativa de 5 anos da marca, ou seja, a décima coleção. Vou deixar um pouco de lado o meu íntimo psicológico. Vai ser uma coleção leve, com referências em viagens, práticas de esportes; é uma enxurrada de referências do que eu faço para me divertir quando não estou trabalhando.”

Parka em tie dye que Diego Fávaro desenvolveu para a Vicunha Têxtil. O tecido foi pintado pelo estilista manualmente

Palavras de ordem, uma nova ordem
“Comecei a fazer isso em minhas criações há um tempo já, é uma forma que encontrei de informar quais foram as minhas referências, o processo de criação e os pensamentos que fizeram presente em minha cabeça, de um jeito mais didático para quem esta vendo/consumindo.”

Por que moda, Diego Fávaro? 
“A moda faz parte de mim desde pequenino, e eu tenho memórias muito afetivas relacionadas a ela. Venho de uma família de costureiras de uma cidadezinha do interior do Paraná, e nos mudamos para São Paulo há 22 anos, quando eu tinha 6 anos. Logo que chegamos em São Paulo, minha mãe começou a costurar em casa para uma fábrica boliviana que vendia no Brás, eram muitas peças (muitas mesmo), e me lembro que ela costurava o mais rápido possível para atender os prazos da fábrica, e eu ficava sentado no chão ao lado da máquina limpando as peças (cortando as linhas que sobravam da costura). Esta é minha primeira memória intima com a moda. Fui crescendo e observando cada etapa da carreira da minha mãe; ela começou a atender clientes sob medida, figurino teatral e eu fui criando um banco de dados na minha cabeça e vendo que era daquilo que eu queria viver; mas só fui acessar estas informações quando estava cursando a faculdade de Arquitetura e Urbanismo, então decidi fazer um curso de corte e costura em uma ONG na Bela Vista, em paralelo à faculdade. Terminei a faculdade em 2011 e trabalhei como arquiteto por um tempo, até eu me sentir seguro em largar tudo para tentar fazer o que me dava prazer. Às vezes paro para refletir do porque desta escolha, das minhas mudanças: talvez um ponto forte disso tudo é que na moda eu sentiria com mais facilidade e com maior frequência o meu trabalho como algo palpável, que projetasse e logo em seguida já conseguiria executar e vestir; o que a arquitetura não me proporcionaria. A minha paixão é poder sentir este fio condutor, entre o primeiro estalo da minha mente, todos os processos de pesquisa, criação e execução, sendo usado por pessoas que muitas vezes eu não conheço, mas entendem o meu mundo, têm os mesmos desejos que eu. A moda faz parte do meu corpo físico, e é ela quem me ajuda a evoluir psicologicamente como pessoa.”

Meus discos, meus livros e muito mais…
“Tenho entrado em um ciclo de nostalgia maravilhosa, eu amo quando isso acontece. Tenho ouvido muito Lily Allen, Alanis Morissette, Avril Lavigne; assistido desenhos que eu amava quando era pequenino, tipo Luluzinha, O Fantástico mundo de Bob e Pequeno urso. Talvez o que mais me motiva e me inspira é revirar algumas gavetas do passado, me traz boas lembranças e faz com que eu me sinta confortável no momento.”

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Imagem cronológica mostra um look de cada coleção, traçando uma evolução da marca nos seus cinco anos

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