O novo sempre vem: um outro olhar sobre a 43ª edição da Casa de Criadores!

Este texto não é sobre tendência de moda (conceito que mudou muito nos últimos tempos) porque quem escreve não é um jornalista de moda, mas um jornalista. Depois de alguns anos sem estar na plateia da Casa de Criadores (não por ordem da vontade, mas pela falta de tempo em tempos reais do jornalismo), presenciar aquilo tudo poderia soar meio “eu já vi tudo isso, 20 anos atrás”. Mas o tempo e a situação sócio-política do nosso tempo deu aquela balançada no esqueleto e a Casa de Criadores respira fôlego através das questões urgentes que estão bem longe da busca pelo belo. Já é sabido que em tempos em que a caça à liberdade bate à nossa porta, a arte contra-ataca metendo a louca e criticando todo o conservadorismo com mais ação e liberdade. Foi isso que vimos nessa segunda-feira (23) na Casa de Criadores. Inclusive, foi por meio do evento que esse fomento ganhou forma no imaginário do jovem brasileiro (porque se tem uma coisa que a moda faz bem é criar novos signos). Se vamos falar de resistência, precisamos falar de André Hidalgo, que resistiu por mais de 20 anos entre fases de bonança e crise econômica e manteve o evento como porta de entrada dos novos talentos da moda. Cada um resiste à sua maneira.

Andre Hidalgo / Foto: Tom Gomes

Seguimos ligando os pontos: dentro desse novo cenário de resistência, a diversidade está na passarela e também na plateia com mais negros e pessoas fora do padrão que a própria moda inventou como ideal em outras épocas (é tipo a moda engolindo a própria moda, antropofagia pura). As palavras de ordem são diversidade, resistência, empoderamento, quebra de padrões. E a moda segue meio protagonista meio coadjuvante.

Foto do Instagram da Elle Brasil no backstage do evento

Até os patrocinadores seguem a “tendência”, como o Sou de Algodão, um incrível movimento promovido pela Abrapa (Associação dos Plantadores de Algodão), que entra para o evento trazendo a ideia do uso consciente do algodão (saiba mais sobre o movimento aqui). Para a Casa de Criadores, promoveu um desfile com 16 estilistas que se destacaram na história do evento para criarem looks em algodão, em colaboração com 16 marcas parceiras do movimento. Fernando Cozendey para Track&Field, Leandro Benites para Martha Medeiros, Isaac de Oliveira da Silva para Bordana (foto da abertura), Weider Silveiro para Inbordal, Renata Buzzo para Mon Petit, Rafaella Caniello para Toalhas Appel, Felipe Flores Fanaia para Estyllus, Diego Malicheski para Cor com Amor, Roberval Rodrigues Dognani para Cataguases, Diego Fávaro para ITM Têxtil, Igor Dadona Silva para Cêdro Têxtil, Livia Barros para Mensageiro dos Sonhos, Tom Martins para Ahmar Manifesto, Rafael Nascimento para Santanense, Alex Kazuo para Vicunha e Heloisa Faria para Canatiba. Também há a Lunelli, patrocinadora oficial da CDC, que além de ter um respeito especial com o meio ambiente (leia matéria aqui), tem uma equipe e criação e marketing total “power woman”.

Desfile Sou de Algodão / Foto: Marcelo Soubhia/FOTOSITE

A moda agênero segue como bandeira oficial, mas também há espaço para desconstruções mil a fim de reinventar a forma de vestir (a curadoria da CDC entendeu bem o gingado dos novos tempos). As antigas trilhas sonoras eletrônicas e roqueiras dão lugar a todo tipo de experimentação, com ritmos brasileiros, música negra e sons distorcidos via computadores. No primeiro dia vimos Xênia França abrindo o desfile da Sou de Algodão com sua postura deusa afro e um ataque de cena do modelo Loïc Koutana do grupo Tetopretofisssial no desfile da OCKSÅ, de Igor Crivellaro.

Loïc Koutana no Desfile OCKSÅ verao 2019 / Foto: Marcelo Soubhia/ FOTOSITE

O novo sempre vem! Abaixo, imagens do desfile da Sou de Algodão!

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