O grito de alerta da periferia com arte, música e empoderamento feminino. Conheça alguns personagens!

Além de editar o site da Casa de Criadores, euzinho também trabalho na Comunicação do Centro Cultural da Juventude e em apenas um mês atravessando a cidade até o CCJ, que fica ao lado do Terminal Nova Cachoeirinha, na Zona Norte, já conheci vários projetos interessantes ligados à cultura negra e ao empoderamento feminino, cheios de personagens talentosos e que a gente precisa conhecer e seguir. Fiz uma seleção abaixo.

O projeto Terça Afro nasceu há 6 anos e atua na Zona Norte com temas ligados às questões raciais, além de ser um espaço possível de troca, acolhimento e compartilhamento de ideias. Como direção na filosofia do adinkra Sankofa (Nunca é tarde para voltar e apanhar o que ficou atrás), trabalha observando o passado e ressignificando o presente. O grupo atua com vários parceiros…

Zumbiido / Divulgação

Entre eles, o Sambaqui (grupo formado por pessoas de formação diversificada, que têm como principais atividades a pesquisa e a vivência de manifestações da cultura tradicional afro-brasileira da região sudeste, tais como samba de bumbo, jongo e batuque de umbigada), Ana Paula Xongani (bacharel em design, sócia-fundadora e estilista da Xongani, um ateliê de moda afro-brasileira criado e gerenciado exclusivamente por mulheres e com o propósito de proporcionar autoestima e visibilidade aos corpos das mulheres negras a partir de uma estética que lhes é própria), Danna Lisboa (venceu diversos prêmios na cena LGBT com a arte drag e já fez cursos de ballet, break, contemporâneo, dancehall, hip hop, house, jazz, vogue e waacking) e o Zumbiido (tribo afroascendente com jovens negros e negras de diversas áreas da produção).

Danna Lisboa / Divulgação

Outro grupo interessante é o Feminine Hi-Fi, que foi fundado em 2016 e foca tanto na valorização do papel da mulher no contexto dos sistemas de som característicos da cultura jamaicana quanto na promoção da linguagem do reggae como expressão contra a opressão social vinda das questões de gênero. Com intervenções de cantoras, singjays e MCs no microfone, a seleção musical do projeto passa pela música jamaicana e produções nacionais correlacionadas. Além das atividades de discotecagem, a Feminine Hi-Fi propõe e realiza atividades de estímulo ao aprendizado e compartilhamento de informações. Oferece bate-papos, workshops, exibição de documentários e oficinas pelo Feminine Hi-Fi Lab e conta com o selo Feminine Hi-Fi Tunes, dedicado à gravação, promoção e distribuição musical com foco nas vozes femininas do reggae. O projeto já reuniu quase uma centena de mulheres em seus line-ups Brasil afora e realizou incursões em eventos e palcos importantes da cena cultural nacional, como a Virada Cultural SP (2016 e 2017), o Mês da Cultura Independente SP (2016 e 2017) e a residência artística latino-americana P.E.R.I.F.É.R.I.C.O, entre outros.

As minas do Feminine Hi-Fi / Divulgação

A cantora Karla da Silva é uma artista carioca que traz em sua sonoridade elementos que colheu nas rodas de violão de seu quintal, nas quadras de escola de samba que frequentou, no hip hop do Viaduto de Madureira, no samba de raiz e no jazz.  Ela nasceu no bairro carioca e quando menina vivia nas rodas de violão e de choro que aconteciam no quintal de casa. Se formou em Letras, mas entrou para a música em 2007 cantando samba de raiz em meio à boemia dos Arcos da Lapa. O primeiro EP, “Festejo e Fé”, fez com que conquistasse mais público e decidisse partir para outro tipo de repertório. Com influência do soul, do jazz e de cantoras brasileiras como Céu e Vanessa da Mata, buscou uma sonoridade mais urbana, mais suingada e mais pessoal. Se inscreveu no programa “The Voice Brasil”, da Globo, e foi aprovada na primeira fase. Com a audiência do programa conseguiu apoio através de crowdfunding e terminou o disco “Gente que nunca viu vai ver a pretíssima coroação”. Além de tudo, é de uma simpatia ímpar!

Karla da Silva / Divulgação

Mariana Soares é a Sistah Mari, nascida e criada na Zona Leste de São Paulo. Foi através da música que Sistah Mari deu vazão ao seu dom e compôs suas primeiras letras em 2008, dando assim inicio ao seu sonho, através do reggae. Passou pela banda Raízes do Bem, que integrava o projeto Raízes e Culturas, participou da 2º edição do Feminine Hi Fi, integrou a Crew Original Omega e lançou o single O Fogo em janeiro de 2018. Integrou a Omega Cypher, que foi lançada em março e atualmente integra a Crew Dawtas of Aya. Ela viaja pra Europa neste mês em turnê com amigos.

Sistah Mari / Foto equipe CCJ

O coletivo Manifesto Crespo traz uma vivência educativa para todas as idades com variadas técnicas de tranças, dreads, e penteados afro como um saber e expressão artística ancestral. O projeto Tecendo e Trançando Arte difunde o conhecimento de trançar e tecer cabelos por meio de uma abordagem artística e cultural. O foco é a valorização da cultura artística das tranças afro, de suas histórias e das(os) trançadeiras(os) que operam num processo criativo constante, a preservação deste saber que é passado de geração em geração.

 

É isso, e isso porque é só o primeiro mês de imersão nas culturas periféricas!

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