Keith Haring, Pierre et Gilles, Neville Brody, Jeff Koons e mais artistas que influenciaram a geração 90

Os pulsantes anos 90 nunca saem da memória de quem viveu intensamente pistas de dança como as do Massivo, Hell’s Club, Latino, Sra. Kravitz, B.A.S.E, Lov.e e outros inferninhos de São Paulo. Mas este post não é de música, mas sobre artistas que influenciaram a geração 90 em uma época em que não existia internet e globalização e que estar antenado era para poucos e bons. Pegue seu moleskine, ou tablet, e vamos lá…

Para sempre, Pierre et Gilles!
Gays assumidérrimos, apaixonados um pelo outro e com uma arte homoerótica linda, Pierre Commoy e Gilles Blanchard (conhecidos como Pierre et Gilles) nasceram na França e começaram a produzir juntos em 1976. Seus retratos são manipulados com tinta e arte digital. Em cena, e sem pudor, amigos e familiares, anônimos e famosos. Nada mais gostoso do que receber nos anos 90 um postal com uma arte da dupla. Kitsch!

Quem tem medo de Damien Hirst?
Parte da geração Young British Artists, Damien Hirst chocou o mundo com sua arte macabra que cortava pedaços de animais e os colocava em caixas transparentes em museus pelo mundo. Odiado e amado na mesma medida, atravessou as décadas seguintes mexendo com o imaginário do público ao lidar com o temas morte e dor. Para muitos, um gênio do marketing, mas com obras que se tornaram milionárias. Em 2015 apresentou em São Paulo, através da White Cube, sua exposição com telas feitas a partir de lâminas, agulhas, taxas e outros objetos cortantes mostrando cidades do mundo.

O menino da bolha de plástico
Jeff Koons nasceu em 1955 na Pensilvânia, nos EUA, e se mudou para Nova York nos anos 70. Foi nesse período que começou a trabalhar com flores e coelhos infláveis, combinando-os com plástico, acrílico e espelhos. O boom se deu com as séries Statuary e Banality, grandes ampliações de brinquedos em aço inoxidável, em 1988. Temas banais, pegada “marketeira” à la Andy Warhol e faro fino para polêmica deram a ele status de popstar. Sua arte não mede esforços para chamar atenção, com peças gigantescas feitas para marcas poderosas e para museus. Haja espaço físico…

Mais amor, por favor!
Keith Haring também nasceu na Pensilvânia, mas em 1958, e foi um artista que, assim como Basquiat, lançou ao mundo a ideia da street art. Seus trabalhos tinham pegada homoerótica, pregando o sexo e o amor livres. Sua arte é simples, com traços marcantes e cores fortes, e com ótimas frases de efeito. Seu talento vem do design gráfico, com imagens que são logotipos. Foi um defensor da causa gay e morreu de Aids, mas não antes de fundar uma instituição para ajudar crianças com a doença. Também era um clássico nos 90 receber um postal com uma arte de Haring. Um fofo!

Lado B
Neville Brody é um inglês nascido em 1957. Tipógrafo e diretor de arte. Ficou famosão com seus trabalhos para a revista The Face entre 1981 e 1986, sua melhor fase. Trata-se de outro designer gráfico que os anos 90 se banharam. Criou capas de discos para um monte de gente legal da época como Cabaret Voltaire e Depeche Mode. Quer conhecer de perto? Cola no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Virou professor de Comunicação no Royal College of Art e fundou a agência de design Brody Associates. Um típico inglês punk, revolucionário e inquieto. Que tal a capa abaixo?

Peter Saville vem la de Manchester (1955) e é um designer gráfico que fez história na gravadora Factory, a qual foi co-fundador, criando capas de discos para o New Order e Joy Division. Também trabalhou com moda em marcas como a Givenchy e Stella McCartney. Moderno, elegante, que não precisava de mil artifícios para criar imagens icônicas. Uma ótima referência para quem ama a modernidade, mas busca ela através do passado.

Meu robô favorito
Este vem de Seul: Nam June Paik, filho de um operário têxtil. Estudou piano clássico, fugiu da Guerra da Coreia e se mudou para Hong Kong e depois pro Japão. Também viveu na Alemanha, onde estudou História da Arte e da Música, e com John Cage e mais alguns artistas se lançou na arte eletrônica no projeto Fluxus, de arte neo-dadaísta. Suas vídeo-instalações são adoradas pelos artistas mais cool. Em 1964 ele se mudou para Nova York e trabalhou com a violoncelista clássica Charlotte Moorman, combinando vídeo, música e performance. Suas instalações (muitas de robôs) são lindas e toda sua arte tem uma ideia de interação com o público através de imagem, som e sensações. A frente de seu tempo.

Curtiu? A gente ainda queria falar de Juerger Teller, Cindy Sherman, Wolfgang Tillmans, Nan Goldin, David Lachapelle etc, etc, etc. Mas fica pra uma próxima, tá? Ah, para a seleção dos artistas contamos com a ajuda providencial do diretor de arte Jorge Morabito, que fazia as artes e flyers de muitos dos clubinhos dos anos 90.

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