Para entrar no debate: conheça a história do Sesc, projeto que nasceu com o espírito da democracia brasileira!

O possível corte em ações de caráter cultural do Sesc, como teatro, música, dança e outras manifestações artísticas, por parte do novo governo tem colocado a população em alerta. Tanto que Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc paulista, já se colocou contra a equipe econômica do novo presidente, que pretende acabar com os “patrocínios” do Sistema S. A ideia do governo é focar na parte de formação profissional do Sesc.

Para Miranda, as eventuais mudanças podem configurar censura. “Se estão entendendo patrocínio como as ações de caráter cultural que são feitas pelos Sescs do Brasil inteiro e o Sesc de São Paulo em particular, claro que é uma tentativa de boicotar, censurar, impedir que a gente continue fazendo isso”, disse ele à Folha de S.Paulo.

Polêmicas à parte, o site da Casa de Criadores escreve este texto para contar do que se trata exatamente o Sesc e como ele nasceu, a fim de deixar nossos leitores mais a par do debate. Vamos lá… O Sesc nasceu em 1949 após a vitória dos aliados na 2ª Guerra Mundial e a queda do Estado Novo de Getúlio Vargas. Foi criado no dia 13 de setembro pelo Decreto-Lei n° 9.853, quando o residente Eurico Gaspar Dutra autorizou a Confederação Nacional do Comércio a criar o Serviço Social do Comércio.

Em 1945, os empresários brasileiros participaram da democratização do país, quando desenvolvia-se a industrialização e a urbanização e multiplicavam-se os movimentos sindicais pela garantia dos direitos trabalhistas. A nova constituição conferia o direito de voto a todos os brasileiros e brasileiras maiores de 18 anos. O Serviço Social do Comércio (Sesc) nasceu como uma instituição brasileira privada, mantida pelos empresários do comércio de bens, serviços e turismo, com atuação em todo o Brasil. Seu propósito é o bem-estar social dos seus empregados e familiares, porém aberto à comunidade em geral. Atua nas áreas da Educação, Saúde, Lazer, Cultura e Assistência.

A sede do Departamento Nacional do Sesc está localizada na cidade do Rio de Janeiro, em Jacarepaguá. Em 1946 foi inaugurada a primeira unidade do Sesc no bairro Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, destinada à assistência à maternidade, infância e combate à tuberculose. Em 1967 veio o primeiro bloco do Sesc Consolação, em São Paulo, que é o pioneiro dos Centros de Cultura e Lazer. O segundo e o terceiro blocos foram inaugurados em 28 de abril de 1970. A partir de 1982, a unidade passou a sediar o CPT ou Centro de Pesquisa Teatral, ligado às propostas estéticas de Antunes Filho.

Em 1975 nasceu o Sesc Interlagos, em São Paulo. Entre 1970 e 1980 foram inauguradas várias unidades pelo interior paulista: Campinas, Piracicaba, São Carlos, Ribeirão Preto etc. Em 1982 surgiu o lindo Sesc Pompeia, com projeto de Lina Bo Bardi. O ano de 2004 marcou o nascimento do Sesc Pinheiros, junto com inauguração das transformações no entorno do Largo da Batata. E daí vieram o Sesc Santana, Belenzinho, uma unidade em Belo Horizonte, Sesc Bom Retiro e muitos outros pelo estado de São Paulo. Em 2017 chegou o Sesc 24 de Maio (SP) e agora em 2018 o o Sesc Avenida Paulista.

Nem só de cultura age o Sesc, claro. Há educação, saúde e assistência, com oferta de serviços de educação, alimentação, odontologia, educação em saúde e assistência médica. Há também um importante trabalho voltado a idosos, que começou nos anos 60.

Em 2016 o Sesc completou 70 anos. Para comemorar, uma série de filmes foi exibida mostrando momentos marcantes da trajetória da instituição. Uma das características do Sesc é a promoção de valores maiores, como o exercício da cidadania, o amor à liberdade e à democracia, o apoio aos menos favorecidos, oferecendo-lhes, através da educação, meios para a conquista de melhores condições de vida.

Em 2006, cerca de 4,9 milhões de pessoas beneficiaram-se da ação social do Sesc. Em sua grande maioria, trabalhadores do comércio de bens e serviços, seus familiares e dependentes. Mas o público atendido pelo Sesc é muito maior. Abrange as populações das periferias. Então, já sabe: não deixe o Sesc morrer, não deixe o Sesc acabar!

Nas fotos deste post, o Sesc Pompeia de Lina Bo Bardi / Foto: Reprodução

 

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