Reaproveitar, recriar, refazer e ressignificar são os lemas da marca Kataploft, de Wiled Silveira

Da arte à moda: Aos 20 anos, Wiled Silveira estava numa fase de transição sem saber qual faculdade fazer e era vizinho do ator Ary Fontoura. “Ele me levou ao teatro para ser contra-regra. Fiquei anos trabalhando em teatro. Até que comecei fazer uma peça com uma atriz que montou uma assessoria de imprensa para cuidar da divulgação das produções dela e dos amigos. Daí nunca mais parei, comecei a fazer Comunicação Social e um trabalho começou a chamar o outro. Primeiro vieram os espetáculos, depois artes plásticas (fui assessor da Cristina Oiticica , mulher do Paulo Coelho, durante anos) depois restaurantes e shows até começar as investidas no mundo da moda. Aí fui pego pelo bichinho fashion. É um mundo fascinante. Com Lalá Guimarães (RP da Gucci na América Latina) comecei a fazer desfiles e assessorias de marcas de grande importância como Patricia Viera. São mais de 20 anos trabalhando nessa área. Em 2014 as coisas começaram a mudar, uma insatisfação inexplicável tomou conta de mim. Comecei a perder clientes. Decidi fechar o escritório e voltar ao home office sozinho, sem equipe. A semana do fechamento culminou com a morte do meu irmão. Aí juntou tudo. Pouca grana e sem vontade nenhuma de continuar como assessor. Não sabia pra onde ir. Janeiro de 2016 descubro uma diabete inesperada. Acho que esse combo me obrigou a achar um novo caminho”, lembra.

Que caminho foi esse? “A Kataploft começou a nascer no carnaval de 2016. Foram as camisetas de camarote as primeiras peças a serem customizadas. Mas vi que minha onda são os acessórios quando abri o guarda-roupa do quarto de hóspede e me deparei com 15 pares de sapatos que nunca mais tinha visto. Decidi ali começar a transformá-los pra usar novamente. Ia ao armarinho todos os dias e comprava de pouco em pouco porque nunca sabia o que queria fazer e nem como fazer. Nunca tinha feito aquilo até então. Nunca soube escolher o tecido da almofada. Comecei usar as peças durante os editoriais de moda com artistas e celebridades de diferentes mundos. Daí as pessoas passaram a me pedir para customizar para elas.”

No início… “Era tudo feito por intuição, não sabia de onde vinha aquilo e ainda não sei. Até que uma amiga de infância me lembrou que quando criança a gente brincava de fazer roupa para as bonecas dela e meu irmão me batia quando via. Acredito que por ter sido reprimido (meus pais também contribuíram bastante pra isso), tudo isso que ficou engavetado está vindo à tona agora. Penso que a morte dele foi como uma libertação para mim. Com o nascimento da Kataploft veio também a necessidade de me mudar para São Paulo, uma capital cosmopolita que aceita melhor as novidades. Logo que cheguei, em junho de 2017, comecei a fazer um curso de sapato no Senai. Ali aprendi coisas básicas de como construir um modelo do sapato, porém não aprendi nada na minha área de customização. Mas me ajudou muito nos processos de elaboração das peças que transformo. Recentemente tive o privilégio de participar do workshop do Walério Araújo. Ali percebi que customizar vem de cada um; não se aprende.”

Qual o conceito da marca? “A Kataploft segue o conceito do upcycle. Está atrelada a todas as formas de sustentabilidade. Reaproveitar, recriar, refazer, ressignificar são o lema da marca. A ideia principal é levar para rua tudo o que está parado no guarda-roupa. Apesar de só ter dois anos de vida, a Kataploft já está nos pés de famosos como Carlinhos Brow, Alexia deChamps, Guilhermina Guinle, Débora Secco, Pitty, Astrid Fontenelle e por aí vai. Também já apareceram em novelas e programas da Rede Globo. Hoje as peças podem ser encontradas na loja Benedito, 36, na praça Benedito Calixto, em Pinheiros, e também no Instagran e Facebook da marca. Ha pouco tempo passei a fazer lives pelo Instagram nas segundas, quartas e quintas, sempre às 20h, isto tem alavancado as vendas.”

Como funciona o processo de criação? “As peças customizadas são enviadas pelos clientes. Eles manda seus sapatos, bolsas, mochilas, pochetes, cintos e transformo de acordo o desejo de cada um. Há sempre uma entrevista prévia onde descubro cores, tecidos e materiais preferidos. A ideia é transformar a peça pra que fique a cara do dono. Há também quem prefira ser surpreendido. Hoje também há mules sob medida e bolsas produzidas desde o molde até à customização.”

O mais legal de tudo é reciclar, né? “Quase todas as peças da Kataploft são únicas. Uso broches e outros acessórios que não se repetem. Há quem me mande roupas que não usam mais e adereços para serem usados nas peças que encomendam. Tudo se transforma, tudo pode ser reaproveitado.”

Onde você acha os materiais pro seu trabalho? “A busca pelas peças que eu uso é incessante. Tecidos, broches, colares, brincos, pulseiras, bottons, patcches…. são garimpados em brechós, feiras, na 25 de Março, no Saara, em viagens e nos baús das avós de amigos. Evito usar peças muito caras na customização para não elevar muito o preço final. Sempre uso bijuterias. Prata e ouro fica inviável. Uso muitos retalhos de descarte da indústria da moda e outros materiais como solados, botões, fitas, elásticos e toda sorte de materiais.”

Os próximos passos… “Aumentar os pontos de venda em todo país, aumentar as vendas pelas redes sociais e criar linhas exclusivas de sapatos e bolsas em parceria com outras marcas. No Natal terei peças prontas para compra, uma espécie de coleção capsula. O Carnaval também é uma época que me procuram para customizar camisetas e fazer arcos e acessórios de cabelo.”

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