Uma nuvem de artista, Rhaissa Bittar fala sobre sua música que bebe de literatura, arte, moda…

Rhaissa Bittar tem dois álbuns lançados, “Voilà” (2010) e “Matéria Estelar” (2014), e ganhou espaço no show biz pensando a música como uma viagem pela literatura, artes plásticas, audiovisual, moda e música. Em seu caldeirão lúdico cabe frevo, samba, jazz, folk cantado em chinês e muito mais. Mas é uma cantora de MPB que também se aventurou pelo cinema: em 2017 estreou como atriz no curta “A Ponte”, de Rafael Câmara (aos 16 anos participou de montagens musicais e ganhou dois prêmios de melhor atriz no 17º Festival Estudantil de Teatro do Estado de São Paulo, no conservatório de Tatuí, e no 3º Festival Estudantil de Teatro em Sorocaba, no Sesi). Belezura, né? A cada música, clipe ou disco, ela voa mais longe: sua turnê “Silêncio” tem poesias de Ferreira Gullar, Alice Ruiz e Paulo Leminski. Nesta entrevista, a gente tenta entender mais desta doce garota!

Primeiramente, as novidades para 2019
“Até abril estou com agenda pra duas turnês: ‘Silêncio’, que é do meu trabalho solo com músicas dos meus discos e os singles que lancei em 2018 (‘A maior ambição’, ‘Velhas Sílabas’ e ‘Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar’), e o ‘Sarau As Mina Tudo Itinerante’, que é um projeto que criei com a Andressa Brandão e que promove saraus com artistas mulheres por diferentes cidades, além do encontro mensal que tem acontecido no JazzB em SP. Ah, e no carnaval participarei de três blocos de São Paulo: os estreantes QueenMagia e Bonequins (infantil), além do já veterano Nu Nu Mundo. No meio do ano vou lançar meu terceiro disco, cujo título é ‘João’. Com ele vem uma nova turnê e uma nova história pra contar. Os singles lançados fazem parte dele.

Quem é a música de Rhaissa?
“O que pega fundo pra mim na música é a história que ela tem. Ela é quem dá o fio condutor dos meus trabalhos. Pra que ela chegue no público direto no peito, tento usar todos os suportes que tenho em mãos, desde sorrir durante uma gravação em estúdio (que ninguém vê, mas todo mundo ouve) até entrar com uma nuvem iluminada de raios de sol na cabeça em pleno blackout da plateia. As letras, os arranjos, os figurinos, as fotografias, as fontes, o papel, o brilho, o tecido, a luz… tudo o que eu puder direcionar pra que o público tenha uma boa viagem, eu faço ou me junto a pessoas que saibam fazer. O meu ‘norte’ é sempre a sensação que quero dividir com as pessoas e também provocar nelas. Na turnê ‘Silêncio’, o roteiro do show conta, entre poesias e canções, a história da separação de um casal. É muito comum o público chorar, e eu brinco que fico até feliz, porque chorei muito pra fazer aquele show, então as lágrimas se tornam nossas.”

A música como elevação da alma
“Acho que arte só é arte quando sublima o ser humano. Algumas obras até conseguem transcender seu contexto histórico e ficam na humanidade por séculos. Mas acho que antes que isso aconteça, ela cumpre algum papel no seu próprio meio. Porque quando as pessoas se sentem representadas na arte, os medos se acalmam e a mudança se torna visível. Acho que a música toca o coração de uma pessoa quando ela se identifica de alguma maneira com aquela história, com aquele som, com aquela atitude ou atmosfera. Acredito nisso e estou de ouvidos atentos porque quando olho pro lado, vejo que existe uma cena musical colorida apesar de qualquer contexto e em resistência a ele.”

As referências de todos os tempos
“Carmen Miranda inspirou pela sede estética, pela ousadia, pelo carisma e pelo brilho. Baby do Brasil e Os Novos Baianos pelo descompromisso mais compromissado que eu já ouvi e pela curtição. Maurício Pereira pelos shows mais bem costurados em histórias que eu já vi. E o maestro Nailor Proveta, quem eu sempre ouvi nos estúdios falar sobre como tocar uma boa história com aquelas notas gostosas.”

Compondo e andando
“Desde sempre brinquei de compor. Às vezes mais, às vezes menos. Recentemente me senti muito realizada quando o Maurício Pereira gravou ‘Uma Pedra’, parceria nossa e do Daniel Galli no disco novo dele, ‘Outono no Sudeste’. Essa canção foi feita para o meu disco ‘Matéria Estelar’, onde cada música era um objeto contando sua própria história.’

Vestida de sonhos
“Vim do teatro, então palco pra mim sempre foi espaço digno de um figurino. Na turnê do meu primeiro disco ‘Voilà’ fiz parceria com a Antix, que estava começando a estabelecer a primeira loja varejo, e com a chapeleira Graciella Starlling, que também estava começando a marca. No segundo disco convidei o artista Jum Nakao, que fez o figurino e a direção de arte do projeto. Dentro do contexto dos objetos, me transformou em uma boneca, outro objeto para contar histórias. O figurino foi construído a partir de vestidos de noiva garimpados e depois tingidos com chá. Além de um fascinator surreal com todos os objetos do disco nele. Nessa terceira turnê, ando de pés descalços por aí, com uma nuvem na cabeça (criada por Gabi Jovine) e um macacão confortável com um decote e V profundo de uma marca nova chamada IP Closet. Pra sessão de fotos, participações e carnaval eu sempre conto com stylist ou crio eu mesma e peço ajuda pra minha mãe hahahah! Teve um carnaval que eu inventei um figurino de flores e nós duas queimamos os dedos todos de cola quente colando-as. Aqui embaixo um audiovisual com ele…”

Rhaissa de ontem e de hoje
“Vejo que algumas coisas de quando eu era criança continuam aqui dentro de alguma forma. Sempre fui bem observadora, orgulhosa e doce… mesmo com algumas lambadas que a vida dá, essa essência tá aqui.”

Uma licença poética
“Bora amando, errando, ouvindo, aprendendo, perdoando e, claro, cantando. Cabeça nas nuvens e pés no chão.”

Agenda
26.01 #turnesilencio Casa Manual, Shopping Morumbi |SP
29.01 @sarauasminatudo no JazzB |SP
02.02 sarau as mina tudo itinetante @ruapagu |Curitiba
03.02 #turnesilencio @ornitorrincoboteco |Curitiba
05.02 #turnesilencio no @paris6_burlesque |SP

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