O tressê com material holográfico em moletom da Der Metropol - fotos Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Coroando uma inspirada sequência de desfiles, a Der Metropol do estilista Mario Francisco encerrou a 28ª edição da Casa de Criadores com coleção primorosa que tomou como ponto da partida a animação “A Viagem de Chihiro”.
Pense no dragão de papel, no monstro de lama, na profusão de cores de Hayao Miyazaki. (Se não assistiu ao filme ainda, vá ver, é incrível).Está tudo lá em tressês, materiais holográficos, off-whites, cinza, preto, azul, amarelo e vermelho em tons de Lego.
Inverno 2011 Der Metropol
E a coleção oferece ótimos separates, indo do básico ao fashion, sempre com bom gosto, para as mais variadas vontades. Há lindos shorts e calças de alfaiataria, blazers espertos, casacos metalizados, os arriscados clochards… Um masculino fashion e sem afetação. Hit total: os shorts e moletons com trabalho de tressê feitos à mão pela equipe do estilista, preciosos e de precisão milimétrica.
Boas idéias, modelagens impecáveis, proporções corretas e acabamento idem (fui até o backstage confeir o avesso! rs), Mario Francisco bem que podia estar à frente do masculino de uma grande marca. E não é viagem, não!
A estréia da oNONO na passarela - fotos Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Pela primeira vez na passarela da Casa de Criadores (a marca até então prefiria apresentar instalações), a oNONO promoveu um delicioso e colorido delírio tropical com coleção intitulada Axé.
Sob a direção de estilo de Ad Ferreira e Gustavo Silvestre, a marca se joga em um inverno com cara de verão, apostando em um megamix de cores, grafismos em shapes quase sempre extralargos, mostrando caftãs/ camisetões/ abadás com estamparia gráfica e de cores psicodélicas. “É um exercício de observação, apropriação e deformação de estéticas e linguagens consideradas típicas brasileiras, retratadas de maneira pop”, define Ad.
A peça-estampa da oNONO, em que a forma acompanha o desenho no tecido
Um dos fundamentos aqui é o bloco de “peças-estampa”, em que a forma da roupa imita o desenho impresso no tecido, ao lado dos looks cubistas, construídos a partir de uma colagem de peças em que a gola é de uma camisa pólo, misturada com moletom, a tecido tecnológico, a lã e plush e jeans. Sensacional!
Imagem do desfile de Wider Silveiro inspirado pela lenda da Morte do Vaqueiro - fotos Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Em atmosfera gótica & glamourosa, Weider Silveiro mostra seu inverno 2011 inspirado pela lenda nordestina da Morte do Vaqueiro. O som dos berrantes dá o start na apresentação do estilista, embalada desta vez por uma trilha fúnebre de Sebastien Tellier, Arcade Fire e Charlotte Gainsbourg.
Trabalhando sobre uma cartela de preto e cinza, as referências ao universo dos vaqueiros surgem de forma sutil e pouco literal, com cordas desenhando os contornos de vestidos, arabescos bordados por cristais, ombros em forma de chifre e muito couro.
Inverno 2011 de Weider Silveiro
Como contraponto a este material mais resistente, peças em malha puída e detonada decoradas com penas pretas sugerem uma leitura dark do caráter rude e árido deste território sertanejo. Foi um senhor desfile este de Weider Silveiro, o melhor desde sua entrada na Casa de Criadores.
O inverno 2011 de Karin Feller, que teve como destaque as criações em tricô - fotos Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Karin Feller entra no clima da estação com uma coleção que quer “o melhor do inverno, sem a preguiça” trazendo como maior novidade na passarela um excelente trabalho com tricôs. “Foi difícil, dá trabalho, mas adorei o resultado”, avisava no vídeo que antecedeu a apresentação.
Inverno 2011 de Karin Feller
Suas criações trazem quase sempre um quê de romântico nas formas e desta vez, ela brinca também com geometrias, florais e pedrarias. Mas é o tricô a grande estrela do desfile, surgindo em vestidos justinhos, confortáveis casacos, ora com grafismos, ora com desenhos de corujas e lobos. Pode fazer mais! :-)
O terceiro e último dia da Casa de Criadores foi o melhor do evento. Abrindo animado com a terceira edição do projeto Ponto Zero, verdadeiro celeiro de novos talentos, revelando o trabalho de estilistas de faculdades de norte a sul do Brasil.
Eram sete ao todo e, como era de se esperar, teve de um tudo: de moda festa a trabalhos sustentáveis, passando alfaiataria masculina clássica e um supreendente desfile infantil, que que arrebatou a platéia e fez sorrir até os fashionistas mais carudos da fila A. A autora da façanha é Silvia Ferraz, que lançou no evento sua marca Spirodiro, com uma bem-humorada coleção para crianças.
Silvia Ferraz, vencedora do Ponto Zero, e seu animado casting de crianças - fotos Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Ao som de Pato Fu, as crianças entravam em cena fazendo gracinha na passarela e exibindo roupas lúdicas e com ótimas idéias. Os casacos, por exemplo, tinham capuzes simulando cabeças de montros, imagem que surgia em pantufas, blusas etc.
Em outros momentos, (supresa!) uma criança puxa o braço da outra e a manga sanfona presa com velcro se extende por mais de um metro. Uma coleção fofa de vestir e de brincar. Terminou como a favorita do júri, conquistando uma vaga na próxima edição do Projeto Lab. Arrasou!!! Veja mais fotos do desfile aqui e confira o vídeo, vale a pena!!!
O Ponto Zero ainda contou com apresentações de Ana Cristina Santos e Camila Cerqueira Martins (Santa Catarina Moda Contemporânea), de Guilherme Diniz e Kledir Salgado (USP), Ivanildo Nunes (Universidade Católica do Ceará), Izabela Starling (Anhembi-Morumbi – SP), Pedro Steinman (Faculdade Belas Artes – SP) e Thabata Sorgiacomo (Centro Universitário Senac – SP).
Inverno 2011 da AnCa, marca de Ana Cristina Santos e Camila Cerqueira MartinsO inverno 2011 de de Guilherme Diniz e Kledir Salgado
Look festa japonista de Ivanildo Nunes
A desconstrução de Izabela Starling
A alfaitaria masculina de Pedro Steinman
O inverno 2011 de Guilherme Diniz e Kledir Salgado
A moda ecológica e suatentável de Thabata Sorgiacomo
O inverno multicolorido e de tecidos reciclados de Gustavo Silvestre - fotos Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Gustavo Silvestre deu um banho de brasilidade e etnia na platéia do segundo dia da Casa de Criadores com uma coleção cheia de bordados, recortes e retalhos, onde o mote era reciclar e reaproveitar material.
Com um casting tão variado e multi-étnico quanto se propõe a coleção, o estilista investe forte no trabalho artesanal, em vestidos justinhos multicoloridos, peças feitas a partir de cós de jeans antigos, pedrarias e um suave perfume anos 70 e disco nas formas e na estamparia gráfica.
O inverno 2011 de Gustavo Silvestre
Aproveitando a oportunidade, lançou sua linha de acessórios Ananaíra, palavra que ecoou na abertura da trilha ao som do tambor, apresentando colares, brincos e mil e um balangandãs.
O inverno 2011 de Jadson Ranieri, que trouxe guerreiros à Casa de Criadores - fotos Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Formas esculturais e amplas dão o tom da nova coleção de Jadson Ranieri, que também olha para o universo dos soldados, guerreiros, samurais e gladiadores, investindo em uma imagem mais conceitual de passarela.
O inverno 2011 de Jadson Ranieri
Ombros geométricos, peças de alfaiataria rígidas e estruturadas entram em cena aqui, com muito náilon e couro, além de tricôs macios e veludo, opondo formas justas e amplas. O momento bafo da apresentação veio ao fim, com os looks cibernéticos, meio “Tron”, espécie de homenagem a Mugler.
O inverno 2011 de Arnaldo Ventura - fotos Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Arnaldo Ventura fez a mais performática apresentação do day 2 da Casa de Criadores, abrindo com os modelos parados na passarela, como um pelotão. A inspiração é a Guerra de tróia e as referências históricas se materializam na passarela em construções tipo armadura, com ombros amplos e estruturas matelassadas protegendo o corpo.
Os nômades guerreiros de Arnaldo Ventura
É uma coleção bonita e com peças bem acabadas, que evocam um imaginário militarista, de andarilhos nômades, guerreiros e viajantes. O melhor da apresentação está no primeiro bloco: as peças em verde-oliva em plush, com formas amplas e muitos volumes. O styling, trazia ainda muitas viseiras, mochilões e luvas de couro.