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26ª Casa de Criadores

Postado em 27/11/2009 por Bia Pattoli

Der Metropol – Hellraiser na Passarela

Mário Francisco, estilista da Der Metropol, usou como fio condutor da sua coleção o universo da série Hellraiser. O estilista usou conceitos-chave do filme, como o personagem Pinhead, a caixa quebra-cabeça que abre um portal para outra dimensão; e a ideia de dor e prazer proposta no enredo. Através desses ícones Mário evoluiu e chegou ao seu inverno 2010 – com alusões ao universo sadomasoquista, experimentações têxteis e respiros militares. Na cartela de cores, verde militar, branco, vermelho, preto e cinza. Sempre propondo contrastes entre essas cores, a impressão é que Mário queria mostrar o portal se abrindo. Essa ideia também pôde ser percebida nos recortes geométricos das jaquetas perfecto estilizadas. O destaque da coleção ficou por conta da inovação nos beneficiamentos têxteis. As texturas em silicone e a camada brilhante, utilizada em moletons, davam vontade de tocar nas peças. O trabalho em drapeados impressionou: certas vezes os modelos pareciam vestir uma armadura em tecido. Ao final, o estilista fez uma leitura longe dos clichês para o filme de terror.

metropol

Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite



Postado em 27/11/2009 por Bia Pattoli

Ianire Soraluze Uma Flor no Inverno

Ianire usou como ponto de partida de seu inverno uma única imagem. Nesta imagem uma flor vermelha contrastava com o clima gélido da neve. Com isso em mente, a estilista desenvolveu uma coleção de tons pastéis, delicados como flocos de neve, off whites, beges e cremes. Como alusão à fragilidade da flor, Ianire mergulhou na feminilidade. Alfaiataria de cinturas altas marcadas, transparências; e vestidos com babados e fluidez ajudaram a compor a personagem de Ianire. Os tricôs e flores desenvolvidos em feltro davam a sensação aconchegante. Os acessórios entraram em combinação perfeita. Primeiro os chapéus de feltro assinados por Madame Olly – que deram um ar retrô para a coleção. E os sapatos em trecê deram mais personalidade aos looks.  Depois de toda a neve mostrada na passarela, a flor vermelha, dá as caras e surge em peças e detalhes em cetim. O vermelho morango utilizado por Ianire garantia um ar de requinte, e não vulgar. No make, a tendência do nude marcou presença nos batons. Uma coisa é certa, o inverno de Ianire deixou a passarela com gostinho de quero mais.

ianire

Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite



Postado em 27/11/2009 por Bia Pattoli

Projeto LAB 26ª Casa de Criadores

No penúltimo dia de Casa de Criadores, quem abriu a passarela foi o Projeto LAB. Composto por Karin Feller, Danilo Costa, Rachel Grandinetti, Jadson Raniere e Arnaldo Ventura. Cada estilista apresentou sua visão inverno 2010, e quem começou foi Karin Feller.

A Karin foi vencedora do concurso Ponto Zero na última Casa de Criadores.  E para esta edição, o desafio de montar uma segunda coleção não intimidou Karin. Inspirada pela pintura das bonecas russas e pelo universo camponês, a estilista montou uma coleção jovem cheia de frescor. A cartela de cores alegra qualquer inverno, tinha coral, amarelo flúor, rosas, cinza, cáqui e detalhes em dourado. Aliás, o dourado das bijoux desenvolvidas por Karin cresceram na passarela e tornaram-se verdadeiros objetos de desejo. Assim como os chapéus, com apliques de dobraduras de flor. As sobreposições e camadas de tecidos propostos por Karin faziam alusão às bonecas, que se guardam umas dentro das outras.

karin copy

Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite

Após a apresentação de Karin, quem entrou na passarela foi Danilo Costa. Em sua segunda vez na Casa, Danilo foi para o universo canino buscar elementos para sua coleção. Sem cair na obviedade, Danilo incorporou elementos da competição canina no vestuário que funcionaram muito bem. Como por exemplo, a headband de flâmula. As estampas divertidas de casinhas de cachorro ganharam um ar vintage. A figura do coração, presente em jacquard no tricô e em buttons nos tênis garantia o ar emotivo da coleção. Destaque para a cartela de cores, jovial, composta por preto, azul klein, cinza mescla e branco. As estampas realistas de cachorros, as focinheiras e os próprios cachorros; destacaram-se na passarela.

danilo

Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite

Rachel Grandinetti, vencedora do Projeto Box, trouxe à excentricidade e nobreza de Maria Antonieta para a passarela da Casa. A leitura de Rachel para a persona histórica ganhou elementos rocker como os cintos de tachas e mais sensualidade. Porem as silhuetas vieram estilo anos 1950, cintura marcada, saiote amplo e casaquetos. Para compor os modelos Rachel apostou em xadrezes, cetins, tules, guipires, plumas e delicados bordados em pedraria. O visual final ficou rico. O volume e apliques de borboletas e passarinhos, em conjunto com a make expressiva; remeteram diretamente à personagem vivida por Kirsten Dunst no filme de Sofia Coppola. E assim que a primeira modelo entrou na passarela, sabíamos ao que Rachel tinha vindo.

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Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite

Foram os ladrões norte-americanos Butch Cassidy e Sundance Kid que deram a levada à coleção de Jadson Raniere. Jadson fez uma releitura do visual western e conseguiu deixá-lo inusitado sem cair nos clichês. Franjas em couro desconstruídas, couro croco, bordados e tecidos empapelados foram artifícios que Jadson usou, para compor sua coleção. A modelagem das calças em alfaiataria arrancou suspiros da plateia, principalmente as maxi-pantalonas. O que começou no tradicional wild west, com cores entre o preto e o marrom; de repente virou-se e foi para outro extremo. Jadson questiona a masculinidade colocada à prova constantemente e propõe uma cartela de cores secundária, com roxos, furta-cor e até um rosa metalizado. Jadson permitiu-se manter um pé no chão e outro no imaginativo em seu inverno 2010.

jadson

Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite

O projeto LAB finalizou com a apresentação dramática de Arnaldo Ventura. Com o inverno inspirado nos pássaros, o estilista abriu o desfile com a performance de um bailarino. A seguir, adentraram na passarela os looks de Arnaldo. Com o trabalho dramático de volume e textura dos milhares quadrados de tecido, costurados nos vestidos e casacos, as mulheres do estilista ganharam o aspecto de penas de pássaros. As leggings em lurex com aplicação de penas nas panturrilhas realçavam ainda mais essa proposta.  Já as botas amarelas garantiram um contraponto com a cartela sóbria (cinzas, pretos e metálicos), esse contraste já é uma característica do trabalho de Arnaldo – que desfila pela terceira na Casa. Destaque para os acessórios, nos cabelos e para a estamparia, corrida e devore, simplesmente escandalosas.

arnaldo

Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite



Postado em 27/11/2009 por Bia Pattoli

Debate: Do casebre ao casarão

Para fechar o último dia de palestras, uma conversa liderada por André Hidalgo, idealizador da Casa de Criadores, com Elisa Stecca, Isadora Krieger, Lorenzo Merlino e Jun Nakao. O objetivo era traçar o caminho percorrido, em 12 anos, pela Casa de Criadores. André começou o debate contando como o projeto começou. Há 12 anos um grupo de estilistas se reuniu, na loja da Elisa Stecca, e resolveu montar a Semana de Moda, que posteriormente teria seu nome alterado para Casa de Criadores. A ideia, apadrinhada por Paulo Borges, era ser uma semana de desfiles onde estilistas criadores, não necessariamente com cunho comercial, pudessem apresentar seus trabalhos. Ao longo do tempo, alguns nomes permaneceram outros migraram para eventos como o São Paulo Fashion Week e outros deixaram de existir. Mas o evento consolidou-se. Atualmente mantém uma relação estreita com parceiros, patrocinadores e principalmente com seus estilistas.

O grupo, em determinado momento do debate, concluiu que o grande diferencial da Casa é a pessoalidade que ele mantém com o visitante e com os envolvidos na produção. É um cenário de comprometimento e cooperação entre os participantes. Já sobre o papel do evento em divulgar as marcas, todos acreditam ser relativo. Ele traz benefícios para o estilista, mas não alavanca a carreira de alguém, se este não estiver trilhando um caminho coeso. Na comparação inevitável com o São Paulo Fashion Week é unanimidade que a Casa é um espaço para criadores, que não tem como maior preocupação a comercialização do seu produto. Já o SPFW, ao que se propõe, todos concordam, faz muito bem.

Foi discutido também sobre o formato do desfile hoje. Jun Nakao acredita que este deveria ser repensado, formatado para a atual necessidade. Os tempos mudaram e continuamos desfilando como nos anos 1940.  Porém a moda organizada no Brasil ainda é recente, aproximadamente 15 anos, e Lorenzo acredita que muita água ainda tem que rolar. Ainda temos que fundar um conselho de moda e temos que cavar apoios governamentais.

O debate voou, e deixou todos ansiosos para a próxima edição da Casa e do ciclo de palestras!

Obrigada a todos que foram, aos palestrantes, à Pinacoteca e ao pessoal da Novo; que organizou o ciclo em pareceria com a Casa.



Postado em 27/11/2009 por Bia Pattoli

Em cartaz: Comédia da Moda Privada”, por Kathia Castilho

No último dia do ciclo de palestras da Casa de Criadores, quem abriu a tarde foi Kathia Castilho que resolveu tocar num assunto tão pertinente, a relação do corpo com a moda.  A palestrante começou discorrendo sobre o papel do corpo na atual sociedade brasileira. A forma como cultuamos o corpo – principalmente no universo feminino – e como ele acaba servindo como espelho da nossa personalidade. Mais do que um cabide para a indumentária, usamos o corpo como meio de comunicação, para que os outros entendam a mensagem que queremos passar.

A percepção de imagem do corpo, que temos hoje, começou a tomar forma nos anos 1950, no pós-guerra. Com a aceleração no desenvolvimento tecnológico a produção em massa, de diversos setores, se estabeleceu. Foi nesse momento que as imagens de ideais de vida começaram a se pasteurizar. Todos começaram a ter desejos e ambições muito similares. Tanto que atualmente críticos históricos acreditam que nunca nos vestimos tão iguais em toda a História. Mas mesmo estando tão massificados nos percebemos singulares.

No Brasil, o culto ao corpo tomou proporções exacerbadas, quem mais sofre são as mulheres mais velhas – que sentem a obrigação de se manterem jovens. Não só fisicamente, mas mentalmente. Por isso a corrida contra o tempo acontece cada vez mais cedo e hoje é comum, adolescentes se submeterem à cirurgias plásticas.

Kathia ainda citou novas teorias sobre a forma como lidamos com o corpo e a necessidade de extensão dos nossos sentidos – como, por exemplo, a realidade virtual, que é uma extensão de nós mesmos, dos nossos corpos.

Para se aprofundar nesta discussão, Kathia indicou o livro “Corpo como Capital”, de Mirian Goldenberg.



Postado em 26/11/2009 por Bia Pattoli

Urussai – Lolitas da Yakuza

Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite

A Urussai foi para o submundo da máfia japonesa, na criação de seu próximo inverno. O tema são as mulheres na Yakuza com a estética das características tatuagens da organização. Para desenvolver a coleção, Catarina e Marina (estilistas da marca) recorreram à tatuadores profissionais; que foram convidados à criar estampas mantendo a estética da tatuagem. Porém o desfile não foi só estampas, houve muito mix de tecidos e experiências com as modelagens tipicamente japonesas. As tradicionais mangas de kimono ganharam uma releitura exagerada, o kimono em si ganhou uma versão mais sensual e as estampas vieram em camisetas desconstruídas. O cabelo das modelos destacou-se pela presença de tranças – como a Rapunzel-japonesa primeira à entrar na passarela. Já o make era dramático. O resultado foi um apanhado de meninas fortes, porém sensuais que pareciam ter sido trazidas diretamente do Japão.

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Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite



Postado em 26/11/2009 por Bia Pattoli

R. Rosner – Homenagem à Dona Lili

Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite

Rodrigo recorreu à sua elegante avó, Lili para compor seu inverno 2010. O estilista contou que estudou fotos antigas de sua avó para seu processo de criação. Ele se inspirou nela, porque ela é seu maior ícone de beleza feminina. Então no ano em que Lili completaria 100 anos, Rodrigo resolveu homenageá-la. O resultado deste trabalho, cheio de emoção, foi um apanhado de looks elegantemente retrôs. Longos com recortes e transparências muito bem trabalhados. Apesar das silhuetas passearem entre as décadas de 30 e 40, os colants nude com padronagem de rendas – estas vindas diretamente de luvas pertencentes à Lili – roubaram a cena e deram um ar contemporâneo. Os plissados nos vestidos longos davam um respiro de art deco, o que garantiu nobreza aos modelos. O estilista, como de costume, usou cetim, organza, musseline, veludo, tule e tafetá; mas surpreendeu com o casaco de pelúcia preto e branco. A cartela de Rodrigo ficou entre o preto, off White, verdes cítricos, violeta e roxo – todos tirados de louças húngaras, nacionalidade de Lili.

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Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite



Postado em 26/11/2009 por Bia Pattoli

Lounge da Casa – Edu Corelli & Friends

Ontem na Casa de Criadores, no shopping Frei Caneca, rolou a discotecagem do Edu Corelli lá no Lounge. Para quem não sabe, o Edu é de Casa e costuma fazer as trilhas de diversos desfiles. Mas ontem, além de fazer trilha, ele e o Luís Depeche animaram o pessoal que passou por lá. Vejam quem apreciou as (sempre) boas faixas da dupla:

E hoje quem agita os fashionistas junto com o Edu é o Adriano Cesar e amanhã Adip & Cella, da Neverland.

As fotos são do próprio Edu.