Ser Sustentável é Possível
Por @rafacarvalho01
Em um passado bem recente, a indústria da moda era uma das que mais poluía o planeta, sabiam disso? Tingimentos, processos químicos para a manipulação do couro, estamparia, lavagens (e re-lavagens sucessivas) de jeans, enfim, todos estes processos geram resíduos, bem tóxicos para a natureza, e não existia qualquer preocupação sobre como tudo isso era descartado no meio ambiente. Até alguns anos atrás, ainda era possível ver em países em desenvolvimento (como nós), lavouras e riachos azuis, lindos, mas era o resultado do descarte irregular da química usada no tingimento do jeans. Isso para citar somente um exemplo.
Hoje em dia, quase todos estes processos têm o descarte controlado pelos governos dos países, como qualquer outro descarte químico deve ter, mas claro, não é possível afirmar que isso ainda não continue acontecendo aqui, e em localidades em situação de subdesenvolvimento tecnológico e fabril.
A moda vem tentando se redimir com o planeta faz algum tempo e aparentemente está conseguindo.
Seguindo a máxima de que pequenas ações podem modificar o mundo, muitas marcas de grande importância nacional e internacionalmente tomam atitudes que podem modificar um pouco o panorama da destruição ambiental.
Recentemente a Billabong (que é Australiana) fez uma parceria com uma indústria de bebidas nacional e reutiliza garrafas PET em seu processo de fabricação de tecidos, revertendo toneladas de PETs que seriam descartadas no ambiente em tecido. Existem ainda linhas orgânicas com fabricação de fibras vegetais de fontes alternativas, como o bambu, por exemplo.

Produtos Billabong feitos com reaproveitamento de garrafas PET
Muito se pode fazer pelo sócio ambiental também. Viviene Westwood desembarcou recentemente na África para ensinar mulheres carentes do Quênia a reaproveitar materiais – uma grande alternativa para frear consumo excessivo – e produziu uma linha de bolsas juntamente com a comunidade, criando empregos no local, ensinando um trabalho e gerando renda.
Bolsas criadas por mulheres carentes no Quênia com aulas de Viviene Westwood
É paradoxal a moda lutar contra o consumo exagerado, uma vez que sua fonte de renda é justamente o consumo. Quando mais se consome moda, assim como em outros seguimentos da indústria, mais recursos do planeta são utilizados. Talvez especificamente a moda, sempre precisará de matéria orgânica para funcionar, uma vez que, mesmo os tecidos sintéticos como poliéster – que é usado em larguíssima escala – é proveniente de uma fonte de energia que um dia vai acabar que é o petróleo.
Inúmeros projetos são lançados quase que por dia, e um que merece nossa atenção também é o SSE. Ser Sustentável com Estilo, de Chiara Gadaleta, que nasce com a missão de “unir as esferas da moda ao desenvolvimento sustentável” como explica em seu próprio site. A missão do SSE é desenvolver atividades dentro da moda que possam mudar o panorama para melhor, como atividades que incluam e dêem apoio as mais diferentes esferas de trabalho da moda, com preços justos, materiais sustentáveis, e condições de trabalho dignas.
Conheça um pouco mais do instituto:
Outro ponto importante para Chiara é praticar o que chama de UPcycling, que consiste em descarte consciente de peças, uso de peças de segunda mão, e até mesmo o consumo de peças de brechó, afinal essa peças já passaram pelo processo de fabricação e o seu consumo significa menos uma peça nova sendo fabricada pela industria, e cada peça a menos, menos resíduos (lixo) a indústria vai gerar.
Na última edição da Casa de Criadores Gustavo Silvestre levantou esse ponto na apresentação de seu verão 2012. Se utilizando do reaproveitamento do jeans para dar vida a sua coleção, o estilista mostrou a vídeo-performance de Chiara, trazendo a tona a discussão de como imagem de moda e beleza não estão conectadas ao tipo de material utilizado, e que é possível construir uma bela imagem mesmo se valendo da reciclagem de materiais. Confira:
Estes são pequenos exemplos que podemos tomar como ponto de partida para novas atitudes, novos hábitos com relação ao consumo desenfreado. É sempre bom ter em mente a consciência antes de comprar um produto novo. Precisamos mesmo dele? Qual a origem do produto? Ele foi feito em condições de trabalho justas?
Enfim, não precisamos virar ativistas do dia pra noite, mas mudar algumas coisas do nosso cotidiano que talvez nem mudem nosso dia a dia em nada, mas são uma super mão na roda para o planeta. E todo mundo agradece.
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