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Postado em 20/06/2011 por remix

Christopher Alexander na 29ª Casa de Criadores

Foto: Lex Mendes

Na sexta-feira, 10 de junho de 2011, às 19h, Christopher Alexander, designer de acessórios sobre o qual a gente falou aqui apresentou sua nova coleção de brincos Belle Époque – Egito em uma performance no lounge do Museu Afro Brasil, momentos antes de iniciarem os desfiles da Casa de Criadores. Veja abaixo o vídeo convite luxuoso do happening feito por João Fabra:

CHRISTOPHER ALEXANDER BELLE ÉPOQUE – EGITO from joão fabra on Vimeo.

Segundo Christopher, a ideia inicial era fazer apenas um vídeo, porém ao longo do planejamento, o designer decidiu que pelos elementos que ele queria unir, uma performance ao vivo teria mais sentido. Isadora Krieger, conhecida de quem acompanhou a trajetória da marca AsGêmeas na Casa de Criadores, protagonista do vídeo-convite, abriu a performance declamando um poema de sua autoria chamado: das Mulheres.

Foto: Carolina Krieger

Foto: Carolina Krieger

Foto: Carolina Krieger

Segue abaixo o poema na íntegra:

das Mulheres

sim, sou mística sim,
sou mística, batizada na igreja protestante,
concomitantemente pagã, panteísta por instinto,
às vezes ibeji, Rosinha da Praia, noutras vezes pombagira,
em noites de lua cheia faço lá minhas reverências,
sou Lilith, feiticeira das bravas.

mas nunca sacrifico animais,
prefiro os bodes aos que desmerecem a condição humana,
sacrifico as daminhas de unhas francezinhas,
os pobres Jeremias, os que vedam O tesão,
os que ilusioramente enfraquecem o forte,
os que não fazem uso do cérebro, tampouco do coração,
os que menosprezam a linguagem do corpo,
os que colocam uma mordaça na bocarra da alma,
os que fogem do sim com o não,
os que fogem do não com o talvez,
os que com o talvez trocam de veste e te
emprestam a própria camisa de força,
os que chegam com as idéias prontas,
passadas de geração à geração.

ah! a liberdade de ser diversamente o que se é!
sem preâmbulos, reticências, sem doses comedidas,
sem as faces empilhadas no mausoléu da prudência,
todas as minhas mulheres em todas as esquinas,
Isaura na cópula, Maria diante da bacia d’água,
Marta dona de casa, Joana d’Arc na vida prática,
mãe canguru com o mundo em seu marsúpio.

minhas mulheres são assim, todas passionais,
gostam do batuque, da flauta hipnótica,
do interior rubro, do exterior atípico,
no pescoço uma mão lascivamente máscula,
nos lábios o lilás que um beijo agressivo traz,
possuem serpentes na cabeça e subindo pelas pernas,
Marias Madalenas, Teresas Batistas Cansadas de Guerra,
Sabinas, Sylvias, Bovarys, Hildas, Medéias,
até as Pollyannas vez em quando me demandam.

minhas mulheres erguem arcas de intempéries,
livram-se elegantemente das correntes enferrujadas,
levam na cabeça toda água do Pacífico dentro dum único vaso,
minhas mulheres também são salamandras,
alimentam-se de fogo e alimentam os seus com a mesma chama,
Anas, Ísis, amazonas, ninfas, Clarices, Diadorins, Afrodites,
minhas mulheres são assim, meio fêmeas, meio machas,
mas jamais homenzinhos, mulherzinhas só em tempos
de talhos inevitáveis, entrementes vão da dor ao
desprezo como um raio, cicatrizam suas
feridas como felinas, com a saliva da própria língua.

são suas bisavós, suas avós, suas mães, suas filhas,
mas antes são delas mulheres distintas,
minhas mulheres são todas vocês,
que assim como eu estafadas estão do encargo
de serem ininterruptamente,
Mulheres.

Na performance, a amiga e atriz Luiza Nóbrega, surge em cena vestindo um dos brincos de Christopher e se senta em um banquinho em frente à uma mesa com uma caixa em cima. Ela a abre e lá estão mais dois modelos de brincos do designer. Ela se arruma, troca o brinco e se dirige aos expectadores, mirando-os nos olhos. Para depois voltar a se sentar e realizar a troca mais uma vez. Tudo isso ao som de Nocturne Nº 16 – Op. 5, Nº 2 de Fryderyc Chopin, executado ao vivo pela pianista Erika Ribeiro.

Foto: Isabella Yumi

Christopher conta que se inspirou nos desenhos do Egito e na delicadeza e força própria de suas mulheres da Belle Époque, na virada do século 19 para o século 20, para desenvolver as peças de sua coleção. Há um vídeo da performance que está muito próximo de ser finalizado que em breve será dividido com vocês. Enquanto isso, vale matar a saudade de uns e curiosidade de outros com as fotos do delicado e impactante happening.

Foto: Isabella Yumi

Foto: Isabella Yumi

Foto: Isabella Yumi

Ficha técnica:
Pianista: Erika Ribeiro
Direção de Arte: Isabella Yumi
Make Up: Helder Rodrigues
Figurino: Juici by Liquor
Apoio: Metalúrgica Francana



Postado em 27/11/2009 por Bia Pattoli

Debate: Do casebre ao casarão

Para fechar o último dia de palestras, uma conversa liderada por André Hidalgo, idealizador da Casa de Criadores, com Elisa Stecca, Isadora Krieger, Lorenzo Merlino e Jun Nakao. O objetivo era traçar o caminho percorrido, em 12 anos, pela Casa de Criadores. André começou o debate contando como o projeto começou. Há 12 anos um grupo de estilistas se reuniu, na loja da Elisa Stecca, e resolveu montar a Semana de Moda, que posteriormente teria seu nome alterado para Casa de Criadores. A ideia, apadrinhada por Paulo Borges, era ser uma semana de desfiles onde estilistas criadores, não necessariamente com cunho comercial, pudessem apresentar seus trabalhos. Ao longo do tempo, alguns nomes permaneceram outros migraram para eventos como o São Paulo Fashion Week e outros deixaram de existir. Mas o evento consolidou-se. Atualmente mantém uma relação estreita com parceiros, patrocinadores e principalmente com seus estilistas.

O grupo, em determinado momento do debate, concluiu que o grande diferencial da Casa é a pessoalidade que ele mantém com o visitante e com os envolvidos na produção. É um cenário de comprometimento e cooperação entre os participantes. Já sobre o papel do evento em divulgar as marcas, todos acreditam ser relativo. Ele traz benefícios para o estilista, mas não alavanca a carreira de alguém, se este não estiver trilhando um caminho coeso. Na comparação inevitável com o São Paulo Fashion Week é unanimidade que a Casa é um espaço para criadores, que não tem como maior preocupação a comercialização do seu produto. Já o SPFW, ao que se propõe, todos concordam, faz muito bem.

Foi discutido também sobre o formato do desfile hoje. Jun Nakao acredita que este deveria ser repensado, formatado para a atual necessidade. Os tempos mudaram e continuamos desfilando como nos anos 1940.  Porém a moda organizada no Brasil ainda é recente, aproximadamente 15 anos, e Lorenzo acredita que muita água ainda tem que rolar. Ainda temos que fundar um conselho de moda e temos que cavar apoios governamentais.

O debate voou, e deixou todos ansiosos para a próxima edição da Casa e do ciclo de palestras!

Obrigada a todos que foram, aos palestrantes, à Pinacoteca e ao pessoal da Novo; que organizou o ciclo em pareceria com a Casa.



Postado em 23/11/2009 por Bia Pattoli

Gêmeas abrem a 26ª edição da Casa de Criadores

Enquanto no masculino o destaque ficava para as mangas estilo príncipe, as silhuetas femininas oscilavam entre cinturas altas marcadas com a falta de marcação típica dos anos 1920. Para completar o look feminino, batom cor de ameixa super glossy e bijoux fabulosas – criadas por Christopher Alexander, parceiro da marca. Para quem quiser conferir a coleção, a loja das irmãs catarinenses já está comercializando as peças.
Foto por Marcelo Soubhia / Ag. Fotosite
Foto por Marcelo Soubhia / Ag. Fotosite

A dupla Carol e Isadora Krieger, autoras da marca Gêmeas, deram a largada em mais uma Casa de Criadores. O desfile aconteceu domingo 22/11 dentro do Parque da Luz, e era aberto ao público. A coleção apresentada não tinha um tema único, e sim um apanhado de elementos que evocam emoções. Elas afirmaram querer resgatar “a ingenuidade que temos na infância, mas que perdemos com o crescimento”. O conceito das irmãs deu as caras nos bordados e jacquards de ursos e coelhos que tinham um pé no infantil, quase naïve. Também nos cardigans, que davam um ar familar, como se fossem emprestados da avó. Para realçar ainda mais essa linha de pensamento a Gêmeas investiu em tecidos leves e esvoaçantes que remetem ao universo dos sonhos. Os tons principais passearam entre preto, branco marfinizado, cáqui e um azul que dava o toque de cor.

Foto por Marcelo Soubhia / Ag. Fotosite

Foto por Marcelo Soubhia / Ag. Fotosite

gemeas

Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite

Enquanto no masculino o destaque ficou para a alfaiataria, no feminino o charme eram as silhuetas. Ora cinturas altas marcadas, ora as cinturas pareciam saídas dos anos 1920 – sem marcação alguma. Para completar o look feminino, batom cor de ameixa super glossy e bijoux fabulosas criadas por Christopher Alexander, parceiro da marca. Para quem quiser conferir a coleção, a loja das irmãs catarinenses já está comercializando as peças.

Cabelo e Maquiagem: Robert Estevão
Styling: Davi Pollack
Trilha sonora: Edu Corelli, Luis Depeche e Pil Marques

Aproveite e ouça a trilha do desfile, que ficou deliciosa:

Trilha gêmeas mp3 by Suntrax

Gêmeas
Rua Augusta, 2690, Loja 16
tel.: (11)3062 4653