Depois de uma elogiada apresentação no inverno 2010 do Projeto Lab, Jadson Ranieri migra para o line-up oficial da Casa de Criadores. Em seu quarto desfile no evento, ele pensa em dândis, imaginando um homem contemporâneo que é sóbrio mas se dá o direito de cultivar certas vaidades.
Cós altíssimo e máxi gola do verão 2011 de Jadson Ranieri
Na passarela do estilista, que é assistente de Walério Araujo, o volume aumenta em blusas de mangas e ombreiras gigantes e muitas peças que desafiam as proporções do corpo, como as calças de cós altíssimo (muitas das formas são mesmo superlativas).
Em momentos mais contidos, a silhueta vem mais enxuta e próxima da realidade, mas sempre com um charme, como em listras e recortes que desenham geometrias em preto e branco e sobreposições em tons fluo, trazendo um divertido perfume new-wave.
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No penúltimo dia de Casa de Criadores, quem abriu a passarela foi o Projeto LAB. Composto por Karin Feller, Danilo Costa, Rachel Grandinetti, Jadson Raniere e Arnaldo Ventura. Cada estilista apresentou sua visão inverno 2010, e quem começou foi Karin Feller.
A Karin foi vencedora do concurso Ponto Zero na última Casa de Criadores. E para esta edição, o desafio de montar uma segunda coleção não intimidou Karin. Inspirada pela pintura das bonecas russas e pelo universo camponês, a estilista montou uma coleção jovem cheia de frescor. A cartela de cores alegra qualquer inverno, tinha coral, amarelo flúor, rosas, cinza, cáqui e detalhes em dourado. Aliás, o dourado das bijoux desenvolvidas por Karin cresceram na passarela e tornaram-se verdadeiros objetos de desejo. Assim como os chapéus, com apliques de dobraduras de flor. As sobreposições e camadas de tecidos propostos por Karin faziam alusão às bonecas, que se guardam umas dentro das outras.
Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Após a apresentação de Karin, quem entrou na passarela foi Danilo Costa. Em sua segunda vez na Casa, Danilo foi para o universo canino buscar elementos para sua coleção. Sem cair na obviedade, Danilo incorporou elementos da competição canina no vestuário que funcionaram muito bem. Como por exemplo, a headband de flâmula. As estampas divertidas de casinhas de cachorro ganharam um ar vintage. A figura do coração, presente em jacquard no tricô e em buttons nos tênis garantia o ar emotivo da coleção. Destaque para a cartela de cores, jovial, composta por preto, azul klein, cinza mescla e branco. As estampas realistas de cachorros, as focinheiras e os próprios cachorros; destacaram-se na passarela.
Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Rachel Grandinetti, vencedora do Projeto Box, trouxe à excentricidade e nobreza de Maria Antonieta para a passarela da Casa. A leitura de Rachel para a persona histórica ganhou elementos rocker como os cintos de tachas e mais sensualidade. Porem as silhuetas vieram estilo anos 1950, cintura marcada, saiote amplo e casaquetos. Para compor os modelos Rachel apostou em xadrezes, cetins, tules, guipires, plumas e delicados bordados em pedraria. O visual final ficou rico. O volume e apliques de borboletas e passarinhos, em conjunto com a make expressiva; remeteram diretamente à personagem vivida por Kirsten Dunst no filme de Sofia Coppola. E assim que a primeira modelo entrou na passarela, sabíamos ao que Rachel tinha vindo.
Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
Foram os ladrões norte-americanos Butch Cassidy e Sundance Kid que deram a levada à coleção de Jadson Raniere. Jadson fez uma releitura do visual western e conseguiu deixá-lo inusitado sem cair nos clichês. Franjas em couro desconstruídas, couro croco, bordados e tecidos empapelados foram artifícios que Jadson usou, para compor sua coleção. A modelagem das calças em alfaiataria arrancou suspiros da plateia, principalmente as maxi-pantalonas. O que começou no tradicional wild west, com cores entre o preto e o marrom; de repente virou-se e foi para outro extremo. Jadson questiona a masculinidade colocada à prova constantemente e propõe uma cartela de cores secundária, com roxos, furta-cor e até um rosa metalizado. Jadson permitiu-se manter um pé no chão e outro no imaginativo em seu inverno 2010.
Foto Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite
O projeto LAB finalizou com a apresentação dramática de Arnaldo Ventura. Com o inverno inspirado nos pássaros, o estilista abriu o desfile com a performance de um bailarino. A seguir, adentraram na passarela os looks de Arnaldo. Com o trabalho dramático de volume e textura dos milhares quadrados de tecido, costurados nos vestidos e casacos, as mulheres do estilista ganharam o aspecto de penas de pássaros. As leggings em lurex com aplicação de penas nas panturrilhas realçavam ainda mais essa proposta. Já as botas amarelas garantiram um contraponto com a cartela sóbria (cinzas, pretos e metálicos), esse contraste já é uma característica do trabalho de Arnaldo – que desfila pela terceira na Casa. Destaque para os acessórios, nos cabelos e para a estamparia, corrida e devore, simplesmente escandalosas.