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Postado em 27/11/2009 por Bia Pattoli

Debate: Do casebre ao casarão

Para fechar o último dia de palestras, uma conversa liderada por André Hidalgo, idealizador da Casa de Criadores, com Elisa Stecca, Isadora Krieger, Lorenzo Merlino e Jun Nakao. O objetivo era traçar o caminho percorrido, em 12 anos, pela Casa de Criadores. André começou o debate contando como o projeto começou. Há 12 anos um grupo de estilistas se reuniu, na loja da Elisa Stecca, e resolveu montar a Semana de Moda, que posteriormente teria seu nome alterado para Casa de Criadores. A ideia, apadrinhada por Paulo Borges, era ser uma semana de desfiles onde estilistas criadores, não necessariamente com cunho comercial, pudessem apresentar seus trabalhos. Ao longo do tempo, alguns nomes permaneceram outros migraram para eventos como o São Paulo Fashion Week e outros deixaram de existir. Mas o evento consolidou-se. Atualmente mantém uma relação estreita com parceiros, patrocinadores e principalmente com seus estilistas.

O grupo, em determinado momento do debate, concluiu que o grande diferencial da Casa é a pessoalidade que ele mantém com o visitante e com os envolvidos na produção. É um cenário de comprometimento e cooperação entre os participantes. Já sobre o papel do evento em divulgar as marcas, todos acreditam ser relativo. Ele traz benefícios para o estilista, mas não alavanca a carreira de alguém, se este não estiver trilhando um caminho coeso. Na comparação inevitável com o São Paulo Fashion Week é unanimidade que a Casa é um espaço para criadores, que não tem como maior preocupação a comercialização do seu produto. Já o SPFW, ao que se propõe, todos concordam, faz muito bem.

Foi discutido também sobre o formato do desfile hoje. Jun Nakao acredita que este deveria ser repensado, formatado para a atual necessidade. Os tempos mudaram e continuamos desfilando como nos anos 1940.  Porém a moda organizada no Brasil ainda é recente, aproximadamente 15 anos, e Lorenzo acredita que muita água ainda tem que rolar. Ainda temos que fundar um conselho de moda e temos que cavar apoios governamentais.

O debate voou, e deixou todos ansiosos para a próxima edição da Casa e do ciclo de palestras!

Obrigada a todos que foram, aos palestrantes, à Pinacoteca e ao pessoal da Novo; que organizou o ciclo em pareceria com a Casa.



Postado em 27/11/2009 por Bia Pattoli

Em cartaz: Comédia da Moda Privada”, por Kathia Castilho

No último dia do ciclo de palestras da Casa de Criadores, quem abriu a tarde foi Kathia Castilho que resolveu tocar num assunto tão pertinente, a relação do corpo com a moda.  A palestrante começou discorrendo sobre o papel do corpo na atual sociedade brasileira. A forma como cultuamos o corpo – principalmente no universo feminino – e como ele acaba servindo como espelho da nossa personalidade. Mais do que um cabide para a indumentária, usamos o corpo como meio de comunicação, para que os outros entendam a mensagem que queremos passar.

A percepção de imagem do corpo, que temos hoje, começou a tomar forma nos anos 1950, no pós-guerra. Com a aceleração no desenvolvimento tecnológico a produção em massa, de diversos setores, se estabeleceu. Foi nesse momento que as imagens de ideais de vida começaram a se pasteurizar. Todos começaram a ter desejos e ambições muito similares. Tanto que atualmente críticos históricos acreditam que nunca nos vestimos tão iguais em toda a História. Mas mesmo estando tão massificados nos percebemos singulares.

No Brasil, o culto ao corpo tomou proporções exacerbadas, quem mais sofre são as mulheres mais velhas – que sentem a obrigação de se manterem jovens. Não só fisicamente, mas mentalmente. Por isso a corrida contra o tempo acontece cada vez mais cedo e hoje é comum, adolescentes se submeterem à cirurgias plásticas.

Kathia ainda citou novas teorias sobre a forma como lidamos com o corpo e a necessidade de extensão dos nossos sentidos – como, por exemplo, a realidade virtual, que é uma extensão de nós mesmos, dos nossos corpos.

Para se aprofundar nesta discussão, Kathia indicou o livro “Corpo como Capital”, de Mirian Goldenberg.